PLANEJAMENTO FINANCEIRO
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Nada mais desagradável para um síndico do que a suspeita que paira no ar quando condôminos põem em questão o destino do dinheiro das cotas condominiais. Desconhecimento, mais que do desconfiança, costuma estar por trás destes comportamentos. Um bom planejamento financeiro acompanhado de uma eficiente prestação de contas põe tudo às claras e evita aqueles comentários desagradáveis sobre o destino dos recursos do condomínio.

"O planejamento financeiro é uma das ferramentas gerenciais que melhor resultado pode gerar quanto à conscientização para a necessidade de controlar adequadamente e dar transparência às finanças dos condomínios", afirma o consultor e especialista em gestão financeira condominial Ricardo Guerreiro.

  
Passo a passo

Segundo o consultor, administrações que valorizam o planejamento financeiro como ferramenta para controlar o fluxo de caixa só têm a ganhar. "Para a gestão de qualquer atividade, é importante saber quanto se estima receber e quanto se vai desembolsar", diz.

O primeiro passo para a sua composição é detalhar os custos do condomínio: obrigações trabalhistas, contratos, concessionárias, etc. Depois, é preciso colocar estes dados em uma perspectiva de tempo, através do fluxo de caixa. É importante buscar adequar os custos à sazonalidade (o orçamento para um mês em que não há nenhum evento especial é diferente de outro em que um gasto maior será feito).

A inadimplência e a impontualidade também são itens que devem ser previstos. Segundo estudos da ABADI/FGV, o índice de inadimplência pode chegar a 30% no meado de cada mês. "Não prevê-los pode representar problemas sérios com o caixa do condomínio, o que acaba acarretando aumento de despesas e, conseqüentemente, uma maior quota condominial para os adimplentes", orienta.

É com base nestes dados que se pode planejar os recursos que serão necessários à saúde financeira do condomínio. Com uma planilha mensal que demonstre diariamente quanto é arrecadado e quanto é pago a fornecedores, funcionários, impostos e demais compromissos, tem-se, no final de cada mês, uma importante ferramenta de análise com a qual pode-se perceber erros que poderiam ser evitados e vislumbrar possibilidades de otimizar receitas.

Todos estes detalhes são importantes, pois o saldo devedor é sinal de má gestão e de maiores custos para o condomínio. Uma boa administradora trabalha justamente para que isto não ocorra.

Relação de confiança entre síndico e administradora

É mesmo para profissionais a experiência e a competência para analisar e administrar financeiramente, a partir do conhecimento dos instrumentos de controle, previsão e análise do caixa. As administradoras mantêm departamentos com pessoal especializado para gerir esta área, justamente pela complexidade do tema.

"O planejamento financeiro exige conhecimento de controles e um acompanhamento rigoroso. O conjunto de planilhas necessário à sua plena elaboração leva algum tempo para ser aperfeiçoado, pois implica que esteja de acordo com a realidade específica de cada condomínio. Depois disso, torna-se uma ferramenta que oferece condições para se pensar em estratégias tanto para a economia de despesas quanto para a melhoria do fluxo de caixa", assegura Guerreiro.

Para que este processo seja mais rápido e eficiente, é importante que o síndico acompanhe todo o processo e mantenha comunicação constante com a sua administradora. "A realização de um bom planejamento financeiro exige uma relação de confiança entre síndico e administradora devido à necessidade de um profundo conhecimento da rotina de recursos e despesas do condomínio. É somente através da análise e da avaliação de suas reais condições financeiras que se pode traçar um verdadeiro planejamento financeiro", afirma.

Previsão orçamentária

Todo o trabalho de preparação de uma previsão orçamentária é executado pela administradora, mas o síndico atento sabe que é preciso manter à mão uma planilha na qual estejam listadas todas as despesas de seu condomínio.

Esta deve ser analisada regularmente, permitindo fazer as simulações necessárias para aplicação ou captação de recursos e outras decisões importantes de gestão. "Nossa sugestão é que esta previsão seja feita de modo a abranger todo o período de uma gestão. Este trabalho se refletirá certamente na saúde financeira do condomínio", diz.

Ele também permite implantar uma cultura de previsão e análise de despesas, seja como um método de trabalho para melhor administrar o condomínio, seja para dar a transparência que os condôminos esperam da administração.
   

Os condomínios em 2004

A Fundação Getúlio Vargas e a ABADI vêm analisando os dados relativos a despesas de condomínio, refletindo o movimento do mercado e sinalizando para pontos que requerem maior atenção dos síndicos. No ano de 2004, os números apurados demonstram que houve um esforço de contensão de gastos, com itens como elevador e luz apresentando um aumento abaixo da inflação. O gasto com pessoal, que sempre é o item de maior peso, registrou aumento, mas porque o salário-mínimo teve ganho real e isso se refletiu nos dados apurados.

"O grande vilão do período foi a água, que surge como um item interessante a sinalizar para a questão tanto de consumo quanto de tarifa. A conjugação destes dois fatores resultou neste percentual acima da inflação", afirma Sérgio Gustavo da Costa, Coordenador de Projetos da FGV.

     

   
Variação Real das Principais Despesas dos Condomínios
na Cidade do Rio de Janeiro

Jan/Out de 2004 em relação a Jan/Out 2003*

Valores ajustados pelo IGP-DI

PESSOAL 3,3%
ELEVADOR -3,3%
ÁGUA 8,1%
LUZ -2,6%

*Média de 4.558 condomínios
Fonte: Pesquisa Imobiliária ABADI-FGV

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