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FAMÍLIA DO SOLAR VERENA |
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Transformar
o condomínio em uma comunidade,
com exercício de cidadania
e integração entre
os moradores. Este é o principal
objetivo do síndico Wellington
Freitas, do Condomínio Solar
Verena, em Cascadura, um prédio
de quatro andares e 24 unidades
que não tem empregados e
funciona a partir de um sistema
de voluntariado.
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A proposta inovadora foi implantada junto
com sua gestão, iniciada em junho
de 2004, e surgiu da admiração
do síndico pela mobilização
em torno de eventos como o Carnaval. "As
pessoas se unem e dedicam toda a sua energia
para a realização de uma
coisa que acaba acontecendo e de uma forma
maravilhosa. Pensava porque esta mesma
energia não pode ser canalizada
para outros fins, para a melhoria do lugar
onde moram, por exemplo", recorda.
Difícil de ser imaginado na prática,
o voluntariado, no estilo mutirão,
se mostrou viável e foi aceito
por unanimidade em assembléia realizada
no mês de novembro, após
quatro meses de experiência.
Jardim
e horta foram marcos iniciais
Os
moradores do Solar Verena dispõem
de uma horta, com hortelã, boldo,
manjericão, alecrim, tudo identificado,
inclusive, com o nome científico,
e pés de frutas, como amora, romã,
goiaba, manga. A churrasqueira fica à
sombra das mangueiras, que permitem esticar
uma rede para aproveitar a brisa. As crianças
contam com balanços junto a uma
goiabeira cheia de frutos. Tudo é
cuidado por eles. "Se podemos considerar
essa iniciativa bem sucedida é
porque em poucos meses todos puderam ver
que fazer do condomínio uma comunidade
era algo possível. Hoje é
notória a união maior entre
os moradores e há mais calor humano.
Tudo muito diferente do que se pensava
no início, quando assustava a idéia
de que teríamos de pegar em uma
vassoura e cuidar nós mesmos do
condomínio", afirma Suely
Miotto, braço direito do síndico
em tudo, inclusive na administração
do Solar.
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O
casal começou com o
apoio de mais três moradores
e com o tempo outras pessoas
foram se aproximando, um desligava
as luzes, outro varria um
andar, outro molhava as plantas,
até que a mobilização
foi acontecendo. O marco inicial
foi a preparação
do jardim e no dia da árvore
foi feita a horta, outro momento
que mostrou a viabilidade
da proposta. "Reunimos
todas as crianças,
alguns adultos também
participaram, tudo foi registrado
em vídeo e as pessoas
ficaram encantadas com a experiência",
recorda Suely. "As pessoas
viam o nosso trabalho e como
é uma coisa de muita
dedicação foram
tomando gosto, e aí
começaram a perceber
que não era uma coisa
terrível como se pensava.
Assim como ser síndico
também não,
como só pude ver depois
que me tornei um. As pessoas
sempre passam que ser síndico
é uma coisa muito pesada,
que é um fardo, e não
é assim. Esta sendo
uma experiência muito
gratificante, muito feliz",
afirma o síndico. |
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Na prática, todas as atividades
necessárias à manutenção
do prédio são divididas
entre os moradores, que a cada semana
se revezam, com o grupo de um andar
se responsabilizando pela limpeza
de todo o prédio. Como são
quatro andares, a cada semana uma
equipe diferente assume o comando.
"Somente se não comparecer
ninguém para fazer a limpeza,
acionamos um diarista", explica.
Mas em seis meses a medida não
foi necessária. "O mais
interessante é que percebemos
o quanto era desnecessária
a contratação de um
funcionário. Temos conseguido
realizar todas as tarefas em duas
horas, duas horas e meia, em um
trabalho que nem precisa ser diário
porque a participação
de todos acabou gerando uma consciência
maior para a conservação,
o que mantém as áreas
limpas por mais tempo", diz
o síndico.
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| Valorização
do imóvel e novas medidas
à vista
Os resultados da iniciativa
já foram reconhecidos.
"No outro dia estava
no supermercado aqui perto
e o gerente veio perguntar
se era eu o síndico
do Solar Verena", surpresa
com a fama repentina. O movimento
no prédio mudou a percepção
que as pessoas tinham dele
e a valorização
do imóvel foi uma conseqüência.
"Nos últimos tempos
mais pessoas passaram a bater
no prédio em busca
de uma unidade. Mesmo no início,
logo após termos feito
o jardim, um apartamento foi
vendido em menos de um mês,
por um preço mais alto
do que a média dos
imóveis por aqui",
conta Wellington. |
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A satisfação dos moradores
também é notória.
Para Ricardo Menezes, que mora no condomínio
há um ano e dois meses, o que faz
com que a administração
seja tão bem sucedida é
justamente sua proposta inovadora. "Eles
estão fazendo disso aqui uma comunidade
e isso reverte em benefícios para
todos nós, especialmente, no bom
convívio: no fato de estarmos no
meio de pessoas que pensam em melhorar
e crescer tanto no aspecto físico,
que são as plantas, o jardim, a
horta, a limpeza interna, o layout da
entrada do prédio, quanto no aspecto
social, que é o bate papo, a troca
de idéias", elogia.
No próximo, ano
outros cuidados entrarão em pauta,
tudo com o apoio dos moradores. "Fizemos
um cadastro e muitos se ofereceram para
ajudar. Temos pintores, jardineiros, eletricista",
conta. Com a economia alcançada
com voluntariado o síndico já
comprou mangueiras novas e fez o seguro
de incêndio do prédio. A
próxima etapa será formar
uma brigada de incêndio. O condomínio
também começou a fazer uma
coleta seletiva de lixo e o dinheiro arrecadado
com a venda se somará a outras
economias e as taxas de manutenção
para a realização de obras,
como a troca das tubulações
e a pintura da fachada.
A redução
das despesas continuará como item
essencial. O síndico vem, desde
o início de sua gestão,
conscientizando os moradores para o consumo
racional de água e de energia.
"Colocamos em cada demonstrativo
o consumo desses itens, comentando se
ouve aumento ou diminuição
da conta em relação ao mês
anterior". Os demonstrativos, que
nas gestões anteriores eram colocadas
no quadro de aviso, passaram a ser entregues
aos moradores. "Assim, cada um tem
a oportunidade de analisar as contas,
se compramos um prego está listado
ali, dessa forma há mais transparência
e responsabilização com
os gastos e a economia", explica.
Apesar do sucesso e do
forte engajamento do síndico e
de sua mulher, eles não pensam
em outras gestões. "A idéia
é não se ancorar no lugar,
justamente porque essa postura acaba gerando
aquele vínculo de poder que faz
com que gestões muito longas percam
a capacidade crítica. Elas criam
uma estagnação não
apenas no gestor, mas nos moradores também",
conclui.
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