PORTEIROS
ENTRE A PORTARIA E OS PINCÉIS   

O Condomínio do Edifício da Associação Comercial do Rio de Janeiro, no Centro do Rio, tem em seu porteiro-chefe um pintor de “mão cheia”. Edson Damião Lino de Lima tem como hobby a pintura de quadros, uma atividade que leva muito a sério. Ele é cadastrado como artesão no Sebrae, órgão que mantém fotos de muitos de seus 50 quadros. Alguns podem ser vistos decorando as salas das empresas que funcionam no edifício onde trabalha.

  
Mas a pintura não tira dele a atenção na portaria. “Edson não é conhecido só por suas pinturas, mas também por sua responsabilidade com o trabalho, o que pode ser compravado pelo fato de os condôminos sempre se reportarem a ele”, afirma Eunice Barbosa, integrante da equipe que administra o edifício e responsável pela área de locação e condomínio. “O movimento aqui é muito grande, mas ele dá conta do recado. É pontual, assíduo, dedicado e gosta de resolver tudo na paz”, elogia.

Carioca, nascido na Taquara, Edson conta que, depois de completar o ensino médio, fez vários cursos de complementação, entre eles os de informática, de brigada de incêndio e, mais recentemente, o de qualidade em portaria. Mas, para ele, seu verdadeiro dom é a pintura. “Desde criança, sempre gostei de desenhar e fui aprendendo na experimentação. Por autodidatismo comecei a trabalhar com tela e tinta acrílica, pintando paisagens marinhas e casarios, estilos que adotei”, relata. A grande oportunidade de expor seus trabalhos foi aberta pelo Sebrae, e ele lamenta a falta de outros eventos do mesmo nível. “Basta mostrar minhas telas para as pessoas se interessarem”, diz.

Quanto à experiência profissional de Edson, ela teve início com o trabalho de Guarda Camp, uma atividade que reunia tarefas administrativas, desde a recepção de turistas à manutenção do espaço em seus aspectos organizacionais “Atuei no Camping Clube do Brasil por quase dez anos, passando por duas unidades no Rio de Janeiro e uma no interior de São Paulo. Aquele trabalho foi uma grande escola”, recorda.

A atividade como porteiro veio em 1995 depois de trabalhar como supervisor de uma prestadora de serviços de conservação, atuando justamente no edifício. A sua postura e seriedade fizeram com que fosse convidado para assumir a portaria. Ele credita à experiência anterior todo o aprendizado adquirido. Ali, ele aprendeu a atender às pessoas com eficiência e qualidade e tornou-se capaz de trabalhar em um prédio que abriga uma associação cujo presidente é um ministro de estado e que, freqüentemente, realiza eventos para diversas autoridades, o que precisa ser conciliado com a rotina de um condomínio comercial onde há quase 50 empresas com escritórios no local. “O trabalho maior aqui é o de relações públicas, o atender bem aos condôminos e visitantes”, diz.

Ele afirma que a rotina de cuidados com o prédio não é grande: os problemas mais comuns eram com os elevadores, mas, com a modernização feita recentemente, eles passaram a ser controlados por computador. Além disso, os dois porteiros – ele e mais um – contam com o apoio de uma auxiliar de portaria e, juntos, conseguem realizar um bom trabalho.

Casado e com um filho de 14 anos, ele se diz satisfeito por ter o apoio da família. “Meu filho curte mesmo é o skate, mas gosta dos quadros que faço; minha mulher também. Ela trabalhou com moda e compreende e valoriza o meu trabalho”, orgulha-se.

Edson considera a inspiração uma coisa incrível. “Às vezes chego em casa com uma idéia e tenho que pegar uma tela e pintar logo para não perder a inspiração. Outras, pego o pincel e nada vem”. Ele também acredita no poder terapêutico da pintura, aconselhando os colegas a buscar uma atividade que também os ajude a relaxar. “O tempo passa e esqueço os problemas, esqueço até de comer. É uma boa dica para os colegas: Ter um hobby, algo que se goste de fazer e que permita extravasar as tensões do dia-a-dia. Nossa atividade exige calma”, afirma. Para o porteiro, a profissão exige cautela “porque os problemas existem e têm de ser superados”. Além da tranqüilidade, Edson diz que o trabalho de portaria também requer cuidado com a aparência. “É preciso estar alinhado, pois aparência conta muito”, ensina.

Outra dica do porteiro do edifício da Associação Comercial é para a participação em um curso de qualidade em portaria. “É muito útil, pois nos passa todas as informações essenciais às atividades que desenvolvemos”, recomenda. Edson fez parte da turma de agosto do curso “Qualidade nos Serviços de Portaria”, da Lowndes. Desde 1998, a administradora vem preparando pessoal para atender melhor aos condomínios, com três cursos de curta duração. Além do de Qualidade, os porteiros podem cursar ainda “Segurança Predial - Orientação e Prática" e "Formação Básica para Chefes de Portaria".

Tranqüilo e bem humorado, ele é também um otimista e brinca ao falar da crise pelo qual o futebol carioca passa, o que afeta o seu time de coração. “Sou flamenguista e, apesar de estar sofrendo um pouco, acredito que coisas boas sempre podem acontecer. Até já comprei uma camisa do time para o meu cachorro, tenho a minha e, quando o time vence, saímos os dois vestidos de rubro-negro para comemorar”, conclui.

Muita sorte e sucesso para este porteiro-pintor.

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