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ENTREVISTA COM O SECRETÁRIO
DE URBANISMO |
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| ALFREDO
SIRKIS |
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As regras sobre o uso do solo e a construção
de edificações estão
mais claras para a população
do Rio. A prefeitura vem publicando os Cadernos
de Legislação Urbana Bairro
a Bairros. Até o momento, já
foram contemplados oito deles: Jardim Botânico,
Gávea, Leblon, Ipanema, Botafogo,
Lagoa, São Conrado e Vidigal –
estes três últimos editados
em um único caderno. Além
das normas de utilização,
há informações sobre
imóveis tombados e mapas, entre outros
dados que irão democratizar este
conhecimento, segundo avaliação
do Secretario de Urbanismos, Alfredo Sirkis.
Nesta entrevista, ele fala sobre esta e
outras iniciativas para o cuidado com a
cidade e discorre sobre a questão
do tombamento de imóveis.
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Lowndes Report – A prefeitura do
Rio lançou recentemente os "Cadernos
de legislação urbana bairro a bairro".
O que são estes cadernos?
Alfredo Sirkis – O objetivo da
prefeitura é facilitar a consulta à
legislação urbanística do
Rio, fornecendo uma fonte de consulta que atenda
tanto às construtoras, aos arquitetos e
aos engenheiros, quanto às associações
de moradores. Até o momento, 8 bairros
já foram contemplados e estamos em fase
de elaboração de mais 6: Laranjeiras,
Cosme Velho, Flamengo, Urca, Glória e Catete.
Pretendemos que, até o final do próximo
ano, todos os bairros estejam cobertos.
Lowndes
Report – Sua distribuição
é gratuita?
Alfredo
Sirkis – Para as associações
de moradores, sim. Os demais grupos podem adquirí-los
a um custo de R$ 30 para a versão em papel
ou R$ 25 para o CD-ROM, na sede do Instituto Pereira
Passos (IPP), na Rua Gago Coutinho, 52, em Laranjeiras.
É possível obter outras informações
no site da Secretaria, em www2.rio.rj.gov.Br/smu.
Lowndes
Report - Recentemente foram alteradas
as regras para entrada de garagem em prédios.
Qual o objetivo dessa mudança?
Alfredo
Sirkis – Há prédios
com numerosas vagas diretas para a rua, obrigando
o rebaixamento da calçada em extensões
longas, por vezes quarteirões inteiros,
criando problemas para o público, suprimindo
vagas de rua em demasia e, por vezes, criando
pressões indevidas para a obtenção
de cortes de árvores de rua, que são
dificílimas de repor. A alteração
foi uma medida destinada a acabar com essas situações
que consideramos perniciosas à coletividade.
Lowndes
Report – Que outras novidades que
afetem diretamente os condomínios comerciais
e residenciais da cidade podem ser esperadas pelos
cariocas?
Alfredo
Sirkis – A única novidade
que está sendo regulamentada, no momento,
para ser posta em aplicação é
o decreto, já consumado, sobre retenção
de águas pluviais em superfícies
de mais de 500 m2. Uma resolução
deve sair até o final do ano detalhando
o decreto.
Lowndes
Report – Como os cariocas podem
participar da elaboração das normas
para temas ligados ao urbanismo da cidade, como
utilização do solo, novas construções
e tombamento, entre outros?
Alfredo
Sirkis – Está tramitando
na Câmara Municipal um projeto de lei que
recria o Conselho Municipal de Política
Urbana (COMPUR). No próximo ano, o projeto
de Lei do novo Plano Diretor de Desenvolvimento
Sustentável será submetido a audiências
públicas em todos os bairros e, depois,
levado à Câmara. Ele substituirá
o atual Plano Diretor Decenal. Poderá haver
intensa participação direta dos
cidadãos.
Lowndes
Report – Como estão os trabalhos
para o Plano de Estruturação Urbana
(PEU) dos bairros?
Alfredo
Sirkis – Finalmente foram aprovados
os PEUs Taquara, São Cristovão e
Campo Grande. Espero que a Câmara vote,
em breve, o das Vargens (Grande e Pequena), da
Tijuca, do Méier e outros, bem como outras
leis que simplifiquem, modernizem e tornem mais
realista a legislação urbanística.
Lowndes
Report – Houve realmente a alteração
dos critérios para a construção
de novos edifícios no Recreio e em Jacarepaguá?
Alfredo
Sirkis – Em parte de Jacarepaguá,
sim, no PEU Taquara. No Recreio, no PEU Vargens,
que abrange parte do Recreio, do lado direito
da Avenida das Américas. No restante do
Recreio, também há alguns ajustes
a serem feitos. Existem projetos na Câmara
neste sentido. |
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A questão do tombamento de
imóveis
O
tombamento é um tema polêmico e
que, por isso, tem merecido atenção
especial do Secretário. Ele fala dos
critérios na seleção dos
imóveis e sobre o embate entre a preservação
do patrimônio histórico e o que
alguns proprietários chamam de preservação
do patrimônio individual.
“Foi
importante para a Cidade a proteção
por tombamento, preservação ou
tutela de cerca de 2.500 imóveis e a
limitação de altura em cerca de
160 ruas ou trechos de rua, na Zona Sul, que
vinha sendo saturada por empreendimentos imobiliários,
gerando um intenso conflito entre a classe média
e seus formadores de opinião e a construção
civil. Contivemos esse processo reduzindo a
intensidade, a freqüência e o volume
das edificações nessa parte da
Cidade ao mesmo tempo em que a estimulamos fortemente
noutras áreas da Cidade. Por outro lado,
promovemos um diálogo, até então
inexistente, entre as associações
de moradores, os grupos ambientalistas e a construção
civil.
Entre as APACs, houve dois processos exemplares:
a do Jardim Botânico e a extensão
da APA da Lagoa, onde houve muita discussão,
negociação e diálogo. Laranjeiras,
Botafogo e Ipanema foram casos também
positivos. No Leblon, o ponto positivo foi a
contenção de uma onda gigantesca
de demolições e de construção
de prédios mais altos. A APAC do Leblon,
no entanto, apresenta alguns problemas técnicos
que terão de ser revistos no futuro.
No caso de alguns imóveis, foi decretada
a preservação não por causa
do seu valor arquitetônico, mas para manter
a ambiência urbana pacata das ruas. Sabia-se
de planos de empreendedores para comprar vários
desses imóveis, remembrar os lotes e
construir prédios altos, o que descaracterizaria
essas ruas. Mas, tecnicamente, teria sido mais
sensato tutelar, em vez de preservar, esses
imóveis, pois isso permitiria uma renovação
controlada. Poderia-se ter optado por limitar
a altura a apenas um pavimento a mais do que
lá se encontra para garagem(??) ou proibir
o remembramento de lotes. Isto permitirá
a renovação com a troca de prédios
velhos, de baixo valor, por outros modernos,
com garagem e elevador. Poderia-se definir também
critérios estéticos específicos
paras as fachadas.
A outra questão é que cada um
dos imóveis tutelados deveria ter sido
nominado, em vez de serem especificados genericamente
sob tutela todos os prédios dentro do
perímetro da APAC. Com isso, não
seria necessário consultar o DGPC a cada
reforma que precise ser feita em um playground
de um prédio dos anos 70.
Quanto às compensações
para os proprietários, seria preciso
rever o trâmite de concessão das
isenções de IPTU para prédios
preservados e tombados convenientemente conservados.
Há demasiada burocracia e detalhismo.
Seria preciso regulamentar em Lei Municipal
a "transferência de potencial construtivo",
permitindo que a metragem quadrada coibida numa
área por medida de preservação
pudesse ser transformada em títulos que
possam adquirir potencial constitutivo em outras
áreas da cidade onde se permita um outro
mecanismo, também a ser regulamentado,
que é a "concessão onerosa
do direito de construir". Ambos previstos
no Estatuto das Cidades. Isto mitigaria muitos
conflitos sobre a questão.”
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