IMPERMEABILIZAÇÃO

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 Prevenção necessária

Um dos principais problemas das edificações é a umidade. A falta de proteção da alvenaria, das lajes e dos contrapisos resulta em estragos na pintura e nos revestimentos, para não falar do comprometimento da estrutura pela corrosão da armadura de concreto dos prédios. A recuperação estrutural representa despesas elevadas e transtornos aos moradores, o que faz com que a impermeabilização tenha sempre um custo menor em relação aos gastos que uma obra desta ordem pode gerar. No entanto, a impermeabilização de uma ou mais áreas deve ser realizada com produtos de boa qualidade e criterioso serviço de aplicação. Estes locais são lajes de garagens, jardins, jardineiras e coberturas, juntas de dilatação, caixas d’água e piscinas, varandas, terraços e calhas, pisos de banheiros e cozinhas, porão de elevadores e muros de arrimo.

  
Especialistas costumam sugerir aos síndicos que, assim que assumirem a administração do prédio, façam uma inspeção a fim de atuar preventivamente e, se for o caso, até aproveitar a garantia oferecida pelas empresas prestadoras do serviço. “A impermeabilização tem garantia de 5 anos e qualquer problema que seja detectado neste período pode ser corrigido sem ônus para o condomínio”, afirma o engenheiro Michel Fiad Júnior.

Uma inspeção com esta finalidade inclui a observação de possíveis sinais de umidade, de trincas ou fissuras e de telhas quebradas. “Infiltrações em lajes de garagem, por exemplo, resultado da ação de chuvas ou de tubulação de água ou esgoto com vazamentos, causam manchas. Há casos em que chegam a se formar estalactites”, diz.


Lajes e telhados

As infiltrações em lajes de cobertura, em geral, são provenientes de falhas na impermeabilização ou do próprio desgaste do material que, em muitos casos, já ultrapassou sua vida útil. Vale ressaltar que o síndico deve estar sempre atento para manter a impermeabilização intacta, isto é, evitando que a mesma seja danificada pela colocação de antenas, escadas de marinheiro ou outros aparatos que exigem perfuração.

Para os telhados os cuidados fundamentais são com a limpeza de telhas, calhas, drenos e ralos do terraço, assim como a verificação da existência de telhas soltas ou quebradas e a manutenção de um perfeito nivelamento do madeiramento, que deve estar imunizado contra cupins e em bom estado de conservação.

Estas áreas merecem atenção redobrada daqueles que trabalham com impermeabilização. O engenheiro diz que boa parte das falhas existentes é decorrente da falta de um projeto que englobe não só a seleção do melhor material a ser utilizado caso a caso, como detalhes de como fazer o ralo, a tubulação passante, um canto vivo, além da previsão de possíveis manutenções e de como estas deverão ser feitas. “Como tudo, a impermeabilização também tem uma vida útil, ou seja, prazo para a sua durabilidade. A garantia contratual é de cinco anos, mas a impermeabilização pode durar até 10 anos. Para isso a qualidade de tudo que a envolve deve ser total”, ressalta.

Falhas mais comuns

As falhas em um sistema de impermeabilização podem ser decorrentes de defeito do material, de aplicação, de projeto, além daquelas que podem ter origem em um problema pré-existente da estrutura.

Segundo o engenheiro, uma prática muito comum é a utilização de materiais básicos, como aditivos impermeabilizantes para argamassas rígidas, que são tradicionalmente usados no Brasil para fazer trabalhos para os quais eles não são competentes como, por exemplo, em estruturas sujeitas a grandes movimentações. “Isso nunca vai gerar um bom resultado. Os sistemas devem ser utilizados nas situações e condições em que se constituem uma solução específica à demanda”, enfatiza.

A especificação é realmente um dado essencial. Em um país em que a normalização nem sempre é respeitada, é importante se guiar por marcas reconhecidas e que tenham um bom histórico de comprometimento com a qualidade no Brasil e no exterior.

Para se cobrir de informação

A realização da impermeabilização é de competência exclusiva de engenheiros e arquitetos, mas um pouco de conhecimento sobre o tema pode ajudar os síndicos na seleção e no acompanhamento da prestação do serviço.

Para a laje, o usual é utilizar mantas asfálticas. Mas há tipos diferentes, como a moderna Glass, que é feita de fibra de vidro e serve para locais que não tenham grande incidência de sol e trabalho de dilatação. “É indicada para áreas menores e cobertas, para espaços maiores e mais expostos. A melhor opção continua sendo a manta estruturada com poliéster”, explica.

Há também materiais para cobertura não transitável, como teto de casa de máquina, que pode receber uma manta que já vem com uma proteção em ardósia ou em alumínio resistente aos raios UV e ao trânsito eventual de pedestres.

O custo de uma impermeabilização varia muito, pois, para cada etapa, pode haver diferentes níveis de complexidade, desde a remoção da impermeabilização antiga, a colocação da manta até a feitura de outra pavimentação, esta última dependendo ainda dos materiais de acabamento escolhidos pelos clientes. Mas vale a dica de pedir sempre, pelo menos, três orçamentos de empresas com um nome reconhecido no mercado.

Materiais

Existem no mercado basicamente dois tipos de mantas, no que diz respeito à composição da massa asfáltica: mantas com asfalto modificado por polímero APP (polipropileno atático) e mantas com asfalto modificado por polímero SBS (estireno butadieno estireno). As mantas APP são mais adequadas às altas temperaturas, típicas de nosso país. Mas existe ainda uma outra divisão, que se refere aos produtos tradicionalmente utilizados e à chamada nova geração de produtos. Confira:

Membranas Flexíveis: à base de asfaltos modificados, elas são utilizadas em tratamentos superficiais das estruturas de concreto e/ou argamassas. São apresentadas sob as formas de emulsões para moldagem in loco e mantas soldáveis (asfálticas e butílicas). São tratamentos superficiais do tipo macio e, por isso, requerem proteção adequada à intensidade e à freqüência de circulação no local, a perfurações e fadiga, bem como oscilações de umidade e de temperatura. Geralmente, são usadas argamassas à base de cimento e areia para protegê-la. Esta proteção também merece manutenção periódica.

Flexíveis de Nova Geração (gel selante): à base de silicatos bioquimicamente modificados, o gel se incorpora às superfícies aplicadas e funciona como nas impermeabilizações do tipo rígidas, fechando os poros e capilares das estruturas e argamassas. Ele reage ao ser atingido pela água num processo contínuo, obturando as microfissuras de até 0,3mm. Aplicável a qualquer tipo de superfície e clima, ele reúne as qualidades dos dois tipos numa única tecnologia, sem a necessidade de qualquer tipo de proteção.

   
  
Para saber mais

É preciso atenção para a utilização de produtos que atendam às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (http://www.abnt.org.br). Elas existem para o projeto, a execução e a especificação de materiais para impermeabilização:

NBR 9574 - Execução de Impermeabilização.
NBR 9575 - Elaboração de projetos de impermeabilização.
NBR 9685 - Emulsões asfálticas sem carga para impermeabilização.
NBR 9686 - Solução asfáltica como primer na impermeabilização.
NBR 9910 - Asfaltos modificados para impermeabilização.
NBR 9952 - Mantas asfálticas com armadura para impermeabilização.
NBR 13121 - Asfalto elastomérico para a impermeabilização.
NBR 13724 - Membrana asfáltica para impermeabilização, moldada no local, com estruturantes.
   

  
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