PORTEIROS
De mãos dadas com a música, sua companheira inseparável   

Vocalista de uma banda de forró e com o segundo CD prestes a gravar, o porteiro do condomínio Amaryllis, em Copacabana, José Pereira da Silva, faz uma média de cinco shows por mês. Alegre e extrovertido, ele está há 14 anos no edifício e não há morador que não conheça a veia artística e o bom humor do paraibano que chegou ao Rio de Janeiro há 23 anos.

São oito os integrantes da banda Cheirinho Bom, que está no cenário musical carioca há 4 anos, e cujo primeiro CD foi gravado em 2001. Conhecido no meio artístico como Ariano, José Pereira estabeleceu uma forte relação com a música desde a infância. “Quando era criança, não tinha condições de comprar um violão. Foi quando arrumei um pedaço de madeira e ficava dedilhando-o mesmo sem cordas. Até que, aos 15 anos, meu irmão presenteou-me com um violão. Foi a maior felicidade”, lembra.

  
Vivia alegre e cantarolando - atitudes comuns aos amantes da música. A família o chamava de maluco e os amigos diziam que iria enlouquecer. Nem uma coisa nem outra. José Pereira acreditou no seu sonho e foi à luta. Veio para o Rio, começou a trabalhar em condomínios até parar no edifício Amaryllis. Nessa época, tocava em barzinhos com seu inseparável violão e assim foi durante quatro anos.

De lá para cá, não parou mais. Hoje, ele e a banda Cheirinho Bom fazem shows de forró em clubes, festas juninas, associações de moradores e festas de aniversários. “Estamos lutando para gravar o segundo CD”, adianta. A música é seu oxigênio, segundo ele mesmo diz. “Em casa, na rua, onde quer que eu esteja estou cantando. Só não canto quando estou no trabalho”, revela.

Aliás, este porteiro-artista ou artista-porteiro traz na alma a leveza e a sabedoria dos que sabem viver. É isso mesmo. “Estou sempre sorrindo. Sou uma pessoa leve e acho que os problemas são para serem resolvidos no tempo certo. Não devemos ficar nos corroendo, ‘martelando’ os problemas. Isso faz mal à saúde. A vida se incumbe de resolvê-los”, conclui.

Bem-humorado, a relação de José Pereira com os moradores é a melhor possível, e o síndico Sérgio Ramalho é testemunha. “Ele é eficiente não apenas no desempenho de suas atividades, mas na relação com colegas de trabalho, clientes, visitas e prestadores de serviço. O diálogo e a busca pelo entendimento são suas características”, analisa. Casado pela segunda vez e pai de Ana Carolina, de 11 anos, e Ana Paula, de 9, ele mora no edifício com a família e estar em companhia dela é um de seus programas preferidos. “Com a música sempre presente, é claro”, conclui.

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