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| Garagem
ganha espaço e garante segurança
e comodidade a moradores |
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Praia do Flamengo, Zona Sul da cidade.
O endereço é do edifício
Cidade do Salvador e o nome do síndico
é Luiz Fernando Mendes de
Almeida, advogado e professor. Foi
ele quem pôs em prática
um projeto que trouxe segurança
e comodidade aos condôminos.
Bastou a utilização
de 170 m² da área localizada
nos fundos do condomínio
e a garagem ganhou mais 13 vagas,
além das 20 já existentes.
Nada mal para um prédio da
década de 50, época
em que a legislação
permitia a construção
de unidades habitacionais sem direito
a vagas.
O projeto, pioneiro no município
do Rio, possibilitou aos moradores
que possuem mais de um veículo
ou os que não tinham direito
a vaga, retirar seus carros das
ruas e colocá-los na garagem.
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Perseverança
e coragem
A empreitada exigiu muito do síndico.
Foi preciso convencer os condôminos,
conquistando quorum privilegiado de dois
terços para a aprovação
da proposta. Para isso, conversou com
cada morador, “tanto com os que
queriam, quanto com os que, por não
querer, poderiam vir a atrapalhar os que
queriam”, lembra Dr. Luiz Fernando,
síndico do prédio há
quatro anos.
Mas
este não foi seu primeiro passo.
Para ter a aprovação em
Assembléia, ele precisou recorrer
a um arquiteto para que desenhasse o projeto.
De posse das plantas, foi a vez de buscar
a aprovação da Prefeitura.
“Como o projeto alteraria a planta
original do edifício, foi necessário
submetê-lo à aprovação
da Secretaria de Urbanismo”, conta.
A convocação da Assembléia
Geral Extraordinária resultou na
aprovação do projeto por
unanimidade. “Tive a sorte de somente
13 condôminos se interessarem. Justamente
o número de vagas aprovado. Imagine
se 18 quisessem, como iria fazer?”,
diz.
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Cuidados
envolveram realização
de seguro
Para realizar a obra, o síndico
pediu a todos os condôminos
que indicassem empresas de
seu conhecimento e confiança,
escolhendo a que apresentou
melhores condições;
não a mais barata,
mas a que pareceu ter maior
conhecimento. “A escolhida
tem dois funcionários
que, no passado, trabalharam
na empresa de engenharia de
fundação que
fez a estaca do prédio.
“Eles tinham acesso
ao estudo do subsolo que outras
talvez não tivessem”,
esclarece.
A
preocupação
não foi sem motivo.
Uma obra dessa mal feita poderia
representar o risco de desabamento
do prédio. Por isso,
além dos cuidados com
a seleção de
quem realizaria o trabalho,
o síndico também
investiu em um seguro. “Fiz
um seguro muito caro, mas
não seria louco de
não ter uma cobertura.
O pessoal dizia: ‘Dr.
Luiz Fernando, nós
vamos aprovar, mas não
vai cair, não é?’”,
lembra. Ele confessa que também
teve medo. “Quando tiraram
tudo do fundo, a parede era
como se fosse a armação
de uma fortaleza, parecia
toda ela coluna. Então
veio o pessoal que entende
de estrutura e disse que podia
tirar que não iria
cair, mas eu fiquei com o
coração pequeno”,
brinca.
A
obra enfrentou outros obstáculos,
tais como rebaixamento do
lençol freático
e a dificuldade para retirar
a terra e as pedras pela garagem.
Foram retirados 570 m³
de terra para rebaixar o chão
e nivelá-lo ao subsolo,
o que exigiu a contratação
de um pequeno trator para
levar o entulho para as caçambas
que ficavam na calçada
e eram retiradas à
noite, sendo substituídas
por outras. Depois, o espaço
foi coberto por uma laje para
integrá-lo à
antiga garagem.
Todo
o trabalho durou seis meses
e terminou em março
deste ano, com um custo de
R$ 40.000,00 por vaga, sem
alterar a cota condominial.
O valor foi rateado somente
entre os moradores interessados
em utilizar as novas vagas.
“O condomínio
não tinha avo para
ceder para vaga de garagem
e poderia pagar ele mesmo
a obra, pegar cota extra e
ser o proprietário
alugando as vagas, mas com
isso os condôminos que
não tinham interesse
poderiam se opor ao projeto.
Então criamos, com
o consentimento da Assembléia,
o artifício de o condomínio
vender o direito de uso perpétuo
da vaga”, relata.
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Conhecimento
sobre temas legais e burocráticos
ajudou
O síndico mantém
toda a documentação
sobre cada passo para a
realização
da obra cuidadosamente organizada
em uma pasta, onde estão
o ‘Projeto de modificação
com acréscimo de
área em prédio
existente no Flamengo’,
com vistos da Prefeitura,
o projeto do arquiteto e
a Ata da Assembléia
Geral Extraordinária
com a autorização
para aumento de vaga de
garagem. “Não
escondo que deu trabalho.
Pelas exigências da
Prefeitura, você tem
que seguir todo um ritual
que não é
fácil. Fui ao prefeito,
fui ao secretário
de urbanismo. Quando me
punham uma dificuldade,
eu fazia feito aquele personagem
do Jô Soares há
muito tempo, ‘O senhor
é o chefe? Então
quero falar com o chefe’.
O síndico se torna,
de repente, despachante,
tudo”, diz.
Mas
ele não lamenta:
“A gente sente-se
recompensado quando vê
que deu tudo certo e que
os moradores estão
satisfeitos: os que adquiriram
as novas vagas, pelo motivo
óbvio, e os outros
moradores, por contarem
agora com uma garagem maior,
revestida de azulejos e
com cantoneiras de metal
revestidas em borracha nas
colunas para evitar danos
não só ao
veículo como à
própria coluna”,
conclui.
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DICAS DO SÍNDICO
Fazer
o possível dentro do orçamento
aprovado em assembléia,
propondo cotas extras apenas para
obras inadiáveis.
Zelar pela segurança (hoje
essencial) e pela limpeza do prédio.
Manter um bom nível de
relacionamento com os condôminos.
Não ir além de sua
função, evitando
criar problemas com outros condôminos
ou com os funcionários.
Fazer inspeções
periódicas nas bombas e
nas instalações
elétricas para evitar gastos
inesperados.
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