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A
onda crescente de delitos contra casas e
apartamentos exige das administrações
uma atenção maior quanto à
segurança. Uma boa notícia
é que as ferramentas tecnológicas
voltadas para esta finalidade estão
se tornando mais acessíveis a um
número cada vez maior de condomínios.
Para saber mais sobre este tema e ajudar
os síndicos no que diz respeito às
muitas opções de equipamentos
e softwares, entrevistamos o engenheiro
de computação Sigismund Schindler
que há 12 anos atua na área
de telecomunicações e sistemas
de segurança para condomínios
no Rio e em São Paulo. Com a experiência
de quem foi o primeiro a instalar, em 1998,
um sistema de identificação
de moradores com checagem fotográfica
e é o responsável por um número
significativo de sistemas de controle de
acesso nos grandes condomínios da
Barra da Tijuca, ele responde as perguntas
da Lowndes Report.
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LR:
Do que a tecnologia voltada para a segurança
já dispõe para os condomínios?
SS: Os sistemas de segurança
para este setor se dividem em três grandes
grupos: Sistemas de Monitoramento (CFTV), Sistemas
de Alarme e Sistemas de Controle de Acesso. Eles
podem e devem ser utilizados conjuntamente em
um projeto de segurança.
Os sistemas de monitoramento são as famosas
câmeras estrategicamente posicionadas que
gravam toda a movimentação nas áreas
de acesso e de circulação e nos
elevadores. São mais eficazes pela intimidação
e na investigação de eventos já
ocorridos, como roubo de toca fitas e vandalismo
no elevador, entre outros, do que para evitar
as ocorrências. Dentre as falhas, a mais
comum é a falta de inspeção
que faz com que as velhas fitas sejam reutilizadas
mais do que o devido e o equipamento não
esteja gravando corretamente, invalidando sua
utilização no caso de uma investigação.
A evolução fez com que surgissem
os CFTVs digitais, cujos avanços não
estão nas câmeras e sim no método
de armazenamento. No lugar de fitas há
um computador equipado com uma placa especial
com software específico que grava as imagens
no HD com a inteligência de só registrar
a imagem quando existir movimento, o economiza
memória. Este mesmo recurso permite o uso
do CFTV como um alarme extra como, por exemplo,
no monitoramento do acesso ao terraço,
dispensando os sensores convencionais. A busca
das imagens armazenadas é quase instantânea
e ainda permite facilidades, como a transmissão
de imagens on-line pela rede de computadores interna
do condomínio ou até pela Internet.
LR:
E os demais?
SS: Os sistemas de alarme, também
chamados de sistemas de segurança perimetral,
são os sensores infra-vermelho instalados
no topo dos muros que cercam o condomínio.
Afinal, de nada adiantam sistemas de acesso, seguranças
e câmeras se um invasor pode pular um muro.
Mas eles exigem cuidados, como o estabelecimento
de um procedimento e treinamento da segurança
interna para quando o alarme soar. Dentre as novidades
há os sensores infra-vermelho que ultrapassam
a barreira dos 100 metros. Existe ainda um grande
número de sensores de movimento, dispositivos
que abrem portas e acendem luzes quando uma pessoa
se aproxima e que podem ser utilizados conjuntamente
no projeto dos sistemas de alarmes.
Os sistemas de controle de acesso são os
mais sofisticados. Eles trabalham com a identificação
e o registro de todas as entradas e saídas
de pessoas e veículos para evitar invasões
pelos acessos principais do condomínio,
que é de longe a tarefa mais difícil
quando o assunto é segurança. Para
que um criminoso vai se arriscar pulando um muro
se ele pode entrar pela porta da frente? As técnicas
mais usadas pelos bandidos, segundo as estatísticas,
é entrar pela porta da frente, se portando
como se fosse morador. Normalmente, ele não
tem aparência suspeita, está bem
vestido e sente-se autoconfiante. Em muitos casos,
aproveita para entrar junto com moradores ou se
disfarça de prestador de serviço
ou de entregador. Se a opção é
pela garagem, ele entra "na cola" de
veículos de moradores, aproveitando a abertura
de cancelas e portões ou clonando placas
destes carros.
LR:
De que ferramentas o controle de acesso dispõe
para evitar estas situações?
SS: Para o acesso de veículos
existem os transponders, tags afixados no para-brisa
do veículo e similares aos utilizados no
Onda Livre da Ponte Rio Niterói e no Passe
Expresso da Linha Amarela. Eles substituem os
antigos cartões e adesivos. Quando o carro
de um morador equipado com o tag se aproxima de
uma entrada ou saída, uma antena receptora
identifica o veículo, registra-o e concede
o acesso, abrindo automaticamente a cancela ou
o portão. A grande novidade são
os sistemas anticarona, que disparam um alarme
caso um veículo sem tag tente entrar "na
cola" de um veículo de morador, aproveitando
a cancela ou o portão aberto.
Para o acesso de pessoas, utilizam-se os chaveiros
e cartões RFID, que são como uma
identidade e funcionam por aproximação.
Quando esses dispositivos são aproximados
da leitora, eles fazem com que seja exibida na
tela do computador uma foto do morador cadastrado,
apenas para checagem, e o acesso é concedido.
LR:
Qual deve ser o procedimento se o veículo
de um morador for roubado, ou o que acontece se
o morador for rendido na rua e obrigado a entrar
com o bandido no banco do carona?
SS: O morador deve comunicar
o roubo imediatamente para que a administração
cancele o acesso do seu tag. No caso de um morador
com um suspeito ao lado, tentar impedir a entrada
pode ser muito perigoso, pois provavelmente o
morador está sob a mira de uma arma. O
que se pode fazer é implementar um procedimento
de alerta, como, por exemplo, um tipo de sinalização.
Mas lembre-se: a própria polícia
recomenda não reagir de forma alguma, orientando
a vitima a tentar manter a calma e evitar movimentos
bruscos. A sua vida é mais importante.
LR:
E se o morador quiser entrar no condomínio
sem o tag?
SS: Ele deve ser encaminhado
à fila de visitantes para identificar-se
como morador. Somente após a checagem fotográfica
do cadastro de moradores o acesso deve ser liberado.
LR:
Como os condomínios têm
reagido a estas novidades?
SS: Os controles de acesso de
veículos funcionam muito bem. No caso do
controle de pedestres, a solução
funciona melhor em condomínios comerciais,
mas não tem a mesma aceitação
nos residenciais, pois os moradores resistem à
utilização dos tags no acesso de
pedestres. A nova solução, que começará
a ser instalada nos condomínios, utiliza
a impressão digital. A tecnologia, que
era muito lenta e cara no passado, com os últimos
avanços se torna mais viável.
LR:
Como o síndico deve abordar o tema com
os condôminos?
SS: Os sistemas de controle de
acesso são uma ferramenta importante para
a segurança, mas o componente humano ainda
é fundamental. Muito treinamento dos operadores
ainda tem que ser feito e muita conscientização
e cooperação dos moradores tem que
ser incrementada para se ter mais segurança.
É ilusão achar que o porteiro ou
o segurança terceirizado conhece todos
os carros e todos os moradores, ou que vai barrar
alguém, que mesmo sendo desconhecido, entra
ao lado de moradores. Eles pensam: "e se
for um parente ou amigo? Eu vou acabar levando
uma bronca". Parece simples, mas a tarefa
de separar moradores e visitantes não é
tão fácil, apesar de esta ser a
iniciativa mais indicada quando o objetivo é
a segurança.
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