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Vantagens e desvantagens dos transportes contratados

Morar longe do trabalho é desgastante. O tempo de viagem, a falta de um transporte público de qualidade, o estresse do trânsito e a insegurança da Cidade são alguns dos fatores que tornam atraente a opção feita por alguns condomínios: contratar ônibus confortáveis que proporcionem toda a comodidade que o morador deseja. Comuns aos grandes residenciais da Barra da Tijuca, eles começaram a ser utilizados no início da década de 80, quando os acessos à Zona Sul e ao Centro da Cidade ainda eram tranqüilos. Hoje, apesar de essa opção de transporte chegar a representar 27% das despesas do condomínio (mais que os gastos com pessoal), os moradores não reclamam. Para eles, compensa o conforto de ter um carro com motorista, ar condicionado, poltronas reclináveis, em horários e itinerários previamente combinados.

Carlos Gonçalves mora no condomínio Novo Leblon, na Avenida das Américas, e sempre que precisa ir ao Centro da Cidade deixa o carro em casa. "Adoro quando posso viajar nos ônibus do condomínio olhando as belezas da orla carioca. É relaxante", diz.

O transporte próprio tornou-se um dos serviços mais valorizados dos grandes condomínios. Ianz Monteiro morava em Jacarepaguá e, ao casar, buscou um novo endereço com o transporte incluído para fugir do desgaste de ir todos os dias para o Centro da Cidade, onde ele e a esposa trabalham. Morador do condomínio Riviera Del Fiori, também na Avenida das Américas, ele não reclama da taxa condominial de R$ 600,00. "Se comparar os gastos com combustível, manutenção do carro e estacionamentos, bem como o desgaste emocional resultante do estresse no trânsito, vale a pena; até porque o condomínio oferece outros serviços além deste: temos, por exemplo, um clube com todo o conforto à nossa disposição", afirma.

Opções em desvantagem

O transporte público é considerado de baixa qualidade e caro. Os serviços de táxi, que, com o aumento da bandeirada em 22% elevou a corrida até o Centro da Cidade, saindo da Zona Oeste, para algo em torno de R$ 40,00, tornou-se inviável como único meio para se chegar ao trabalho e voltar para casa todos os dias. As opções que oferecem um pouco mais de conforto são os chamados frescões e as vans. A passagem nos frescões custa R$ 5,00 a passagem, o que somado por dois e multiplicado pelo número de dias úteis do mês chega a R$ 220,00. Já a passagem das vans custa R$ 4,00, o que, seguindo a mesma contabilidade, totaliza R$ 176,00.

Gastos isolados e que não oferecem a mesma segurança, na opinião do diretor de transporte do Condomínio Mandala, James Bartlett: "Com o serviço, os moradores podem pegar o ônibus dentro do condomínio e parar na porta do trabalho", valoriza.

Para a administração, o custo de conciliar interesses individuais

Olhando a outra face da questão, o diretor reconhece que, para a administração, há aborrecimentos: "Em comunidade, sempre há reclamações, quem utiliza gosta, mas quem não utiliza não quer pagar. Há também as queixas pelos atrasos, muitas vezes motivados pelos engarrafamentos, mas que nem sempre as pessoas entendem", afirma.

São situações que exigem que o condomínio mantenha um responsável para administrar o dia a dia do serviço. "Em caso de reclamação por atraso, pedimos para a empresa checar se foi realmente problema de trânsito para poder dar uma explicação ao morador", conta Naísa Salgado, do condomínio Novo Leblon, que dispõe de transporte contratado há mais de 15 anos e hoje transporta cerca de 500 pessoas. "As reclamações mais comuns são por atraso ou por não parar no ponto, mas faz parte do acordo ter todos os dias um funcionário da empresa de ônibus aqui para saber se está tudo bem e se há alguma coisa que se possa fazer para melhorar o atendimento", diz.

Com itinerários que cobrem até o Centro da Cidade ou os finais das linhas de metrô de Botafogo e da Tijuca, com maior número de carros nos horário da manhã e do final da tarde, a maioria dos condomínios atende aos moradores cobrando pela comodidade um valor que varia de acordo com o número de unidades. "Há condomínio com poucos horários, o que acaba prendendo o usuário. A distância de uma hora entre um ônibus e outro já prejudica muito o morador", conta Ianz, que fez uma ampla pesquisa antes de optar pelo condomínio onde mora. "Com sete blocos, de 23 andares e 8 unidades cada, o rateio garante uma redução considerável para o morador e, ao mesmo tempo, a possibilidade de o serviço ser contratado com uma frota maior", considera.

Para os moradores, a lógica sempre será a de quanto mais comodidade, melhor. As administrações investem em qualidade, pois, na hora de alugar ou vender uma unidade, um serviço a mais pode fazer toda a diferença.

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