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A
união faz a força...
...e
a boa convivência
Imagine terminar uma assembléia
e os condôminos permanecerem reunidos
conversando sobre melhorias para o condomínio.
Difícil de imaginar? Então
tente visualizar outra cena: síndico
e conselheiros se reúnem no apartamento
de um dos membros do quadro administrativo
para analisar as contas do condomínio
e, para descontrair, levam petiscos, contam
piadas e ficam conversando até
aproximadamente uma hora da manhã.
Esse ambiente de total integração,
que pode parecer impossível para
alguns síndicos, é pura
realidade no Condomínio do Edifício
Rio do Engenho Velho, na Tijuca. |
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Que o diga a síndica, Maria Helena Mello
Moura, na função há mais
de dez anos. "Esse clima de harmonia de
hoje foi muito trabalhado, não existia
antes de eu assumir o cargo de síndica",
lembra, ressaltando que muito da boa convivência
que se estabeleceu no prédio de quatorze
apartamentos se deve à força feminina:
"Todo esse tempo eu fui trabalhando mais
com as mulheres e, nas nossas assembléias,
a presença é maciçamente
feminina".
As
assembléias são apenas um dos
eventos da vida condominial em que a harmonia
entre os moradores se reflete. Como as reuniões
normalmente ocorrem durante a noite e alguns
dos condôminos chegam diretamente do trabalho,
sempre há uma esposa dedicada que leva
algum "lanchinho". "Daí
todo mundo traz alguma coisa. Um traz uma pipoca,
outro traz um suco, até para a gente
passar o tempo. Muitas vezes termina a reunião
e fica todo mundo conversando sobre outros assuntos,
sugerindo atividades que podem ser feitas no
play, etc", conta Janaína, esposa
do presidente do Conselho Consultivo.
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São
reuniões de condôminos que
se transformam em verdadeiras confraternizações,
o que contribui para tornar o ambiente mais
tranqüilo, facilitando a discussão
dos assuntos e a tomada de decisões.
Na assembléia ocorrida no último
mês de novembro, por exemplo, um dos
temas da pauta foi a necessidade de aumento
da quota condominial. Os condôminos
sugeriram três índices de reajuste
diferentes, e a menor proposta foi escolhida,
sem traumas. A síndica Maria Helena
explica: "Aqui, o ambiente das assembléias
é bem democrático. Votação
é votação, maioria
é maioria... Se a sugestão
de um condômino não foi aceita,
ninguém leva para o lado pessoal.
E a discussão não continua
depois da assembléia, não
vira "ti-ti-ti" nos corredores,
ganha a maioria e todos respeitam".
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Ocasiões
para que os condôminos forneçam
demonstrações de amizade não
faltam. Certa vez a síndica precisou
se ausentar por um mês para uma viagem.
Quando retornou, o presidente do Conselho interfonou
para seu apartamento informando que um cano
havia se rompido e gerado um grande vazamento.
Quando ela desceu e chegou ao play apavorada,
foi surpreendida pelos moradores que organizaram
um almoço de boas vindas. A reforma do
play também gerou um almoço com
feijoada e até a chegada de novos moradores
vira motivo de comemoração: Há
pouco tempo, as condôminas organizaram
um "chá de bebê" surpresa
para uma moradora nova que estava grávida.
Mas
se engana quem pensa que Maria Helena guarda
para si todos os créditos deste paraíso.
"Aqui todo mundo participa, até
porque eu não conseguiria levar tudo
sozinha. Eu acho que se o nosso prédio
funciona assim, não é em função
apenas do meu trabalho. Eu não conseguiria
me dedicar em tempo integral ao condomínio".
Por isso, ela conta com a ajuda dos moradores.
A condômina Janaína explica como
funciona a parceria: "Existe mais ou menos
uma divisão de tarefas: a Maria Helena
é responsável pela parte burocrática,
eu fico com a parte de decoração,
do arquivamento dos documentos e da pesquisa
de preços. A Lúcia, do 401, se
preocupa mais com a limpeza, o controle dos
materiais, vê quem joga pontas de cigarro
no chão, faz campanha de conscientização".
A
união dos moradores viabiliza desde tarefas
simples do cotidiano até grandes transformações,
como aconteceu com a reforma da portaria, considerada
a "menina dos olhos" dos condôminos.
A obra de igreja, como eles mesmos dizem, demorou
seis meses para ficar pronta e, durante a realização
dos serviços, a passagem precisou ser
feita pela garagem. Todo o planejamento foi
exposto em assembléia: a troca dos móveis,
as idéias sobre a cor e a texturização
das paredes, os materiais a serem empregados.
Não foi fixado cronograma, mas a síndica
acredita que o desconforto provocado por uma
obra como esta foi minimizado porque os detalhes
e o planejamento foram discutidos de forma muito
transparente desde o início.
Transparência
na administração do dinheiro,
aliás, é o segredo para conquistar
a credibilidade e o apoio dos condôminos,
na opinião de Maria Helena. "Ajuda
muito o fato de todos conhecerem onde o dinheiro
foi aplicado e saberem quais foram os gastos",
afirma com conhecimento de causa. A reforma
da portaria foi realizada com recursos provenientes
do aluguel do telhado do condomínio a
uma empresa de telefonia e a receita acumulada
e empregada na obra chegou ao montante de R$
62 mil. Com o fim da reforma, além do
coquetel de inauguração do novo
espaço houve a preocupação
em prestar contas: os condôminos receberam
um relatório discriminando todos os gastos
efetuados, cheques por cheque. "Foi um
levantamento que demorou quase dois meses para
ser concluído, mas fechamos a obra com
chave de ouro", orgulha-se.
Resultado:
moradores ficaram totalmente satisfeitos, tanto
que alguns deixam de receber os amigos em suas
residências para recebê-los na portaria.
Isto sem falar no conforto e na sensação
de bem-estar ampliados a outros locais do condomínio,
pois com programação e ajuda dos
condôminos a gestão de Maria Helena
ainda rendeu a reformulação total
do banheiro da casa do empregado, a reforma
do banheiro e do jardim do play, a remodelação
do jardim da entrada do condomínio e
a compra de utensílios para as festas
no play, como fogão, freezer, mesas e
cadeiras novas.
A
impressão de quem conhece um pouquinho
do dia a dia no Condomínio Rio do Engenho
Velho é de que os moradores gostam tanto
de estar juntos que tudo vira motivo de festa.
E, realmente, este condomínio corporifica
o sentido da expressão "comunidade
condominial", em que o objetivo primordial
é o bem-estar comum, a plena qualidade
de vida. |