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Simão Antônio Ferreira chegou
ao Edifício Lyon, na Praia do Flamengo,
em 1971, só havia um dos 37 apartamentos
do prédio ocupados. Recém-entregue,
a construção ainda passava
por finalizações, como o
acabamento da portaria.
Paraibano, chegado ao Rio em 1968, Simão
foi porteiro do prédio entre 1971
e 1975. O afastamento do condomínio,
no entanto, durou pouco. Em julho de 1978,
já estava novamente à frente
do prédio, no qual, desde 1982,
ocupa o cargo de porteiro-chefe. Em 25
anos de serviços prestados, ele
conhece muito mais do que as rotinas do
lugar e as três gerações
de moradores. O tempo foi suficiente para
que ele presenciasse uma mudança
no perfil da profissão. Hoje, muito
mais do que um recepcionista, diz ele,
o porteiro é um agente de segurança.
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- Antigamente, a garagem ficava aberta até
às 22h e também não havia
a preocupação de manter o portão
fechado. Hoje, temos que estar o tempo todo
atentos, a vigilância é constante
- diz Simão, acrescentando que o prédio
passou por dois assaltos. - Sempre achamos que
não vai acontecer com a gente, mas hoje
ninguém mais está livre. Não
tem essa de cor, nem de vestuário, é
preciso estar atento a todos que se aproximam.
A receita de Simão, no entanto, para
se manter tanto tempo no emprego é simples:
educação e paciência.
- Deve-se saber contornar as situações
e não levar em conta uma palavra atravessada
ou uma cara feia. Às vezes, a pessoa
está em um mau dia. Hoje, temos um ambiente
de respeito e consideração. É
preciso ouvir mais do que falar, ensina o porteiro,
que criou o casal de filhos, hoje com 21 e 14
anos de idade, no endereço da Praia do
Flamengo.
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