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Economizar. Esta é a palavra de ordem dentro das
casas, das empresas, das igrejas, dos estados e do país
como um todo. Nos condomínios, não é
diferente e, talvez, a tendência de reduzir despesas
seja até mais intensa. Afinal, o síndico
é o responsável pela gestão e pela
aplicação do dinheiro que pertence a todos.
Gastar racionalmente é uma habilidade que deve
ser desenvolvida em qualquer período econômico
e em todas as áreas de nossa vida. Mas fica a dúvida:
até que ponto economizar é sinônimo
de escolher o mais barato?
Do Aurélio, tiramos a definição de
que economizar significa gastar com moderação.
E, de fato, o desafio de qualquer administração,
particular ou pública, é sempre fazer mais
com menos. No entanto, muitos síndicos esquecem
que redução de preços pode implicar
em diminuição de qualidade e segurança.
Então, como resolver esta difícil equação?
Como reduzir despesas sem comprometer a segurança
ou o conforto mínimo que desejamos? Uma alternativa
é usar medidas inteligentes e estabelecer estratégias
de consumo eficazes. Por exemplo, distinguir o que é
indispensável do que é supérfluo.
Para começar, no entanto, é importante saber
o que não fazer e por quê.
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QUANDO O BARATO SAI CARO
A expansão do setor imobiliário nos
últimos anos, aliada à acirrada concorrência
entre as empresas, tem representado uma combinação
perigosa, que vende gato por lebre. Voltando um
pouco no tempo, resgatamos o caso da Encol, construtora
que vendia imóveis por preços até
30% menores que os praticados no mercado. Incapacitada
de quitar os compromissos com os credores, teve
sua falência decretada em março de
1999. Em 1998, o edifício Palace II desabou,
causando a morte de 8 pessoas. Ficou comprovada
a má qualidade do material utilizado na construção,
manchando para sempre o nome do ex-deputado Sérgio
Naya, dono da Sersan, construtora do prédio,
e da Matersan, fornecedora dos materiais. |
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São exemplos de "bons negócios"
que custaram sonhos e vidas e servem de alerta para os
síndicos, principalmente porque eles respondem
civil e criminalmente por eventuais danos que suas escolhas
causarem ao Condomínio. A intenção
de cortar gorduras no orçamento muitas vezes leva
os administradores a revolver a prestação
de serviços no condomínio. Trocar a conservadora
dos elevadores por outra de menor porte e, conseqüentemente,
mais barata, por exemplo, pode representar uma considerável
redução das despesas. No entanto, é
interessante considerar se tal empresa tem estrutura suficiente
para prestar a assessoria em termos de material e de pessoal
qualificado. Além disso, é importante conhecer
sua trajetória e assegurar que ela tenha estabilidade
financeira para arcar com um eventual acidente, como num
condomínio na Lagoa, onde a indenização
deverá passar de R$100 mil.
Na realidade, muitos consumidores desconhecem que iniciativas
sustentadas pela estratégia do preço baixo
podem ocultar instabilidade financeira. Para Cesar Thomé
Jr., presidente da ABADI, se a empresa precisa esconder
de onde vem o seu lucro, alguma coisa está errada.
"Jamais faço negócio quando não
consigo enxergar de onde vem o lucro", confessa.
Algumas empresas que ofereceram condições
de serviços fantásticas por valores mínimos
simplesmente "quebraram". O Condomínio
Jardim dos Arcos viveu uma experiência assim quando
a administradora com a qual trabalhava faliu, em 2001.
"Ficamos em uma corda bamba. Fomos pegos de surpresa
e não nos recuperamos ainda", relata a síndica,
Valéria Hallak. Uma empresa que não tem
solidez suficiente para garantir a própria estabilidade
não merece cuidar do patrimônio de toda uma
coletividade, como é um condomínio.
Para justificar o "preço camarada", determinadas
empresas fazem propaganda da quantidade de clientes. Mas
números nem sempre dizem tudo. Basta lembrar o
caso da Enron, empresa norte-americana tradicionalmente
ligada à geração e transmissão
de energia, que declarou falência no final de 2001
e admitiu que tinha exagerado nos lucros, além
de ocultar prejuízos, para atrair e manter os investidores.
A falência da Enron e a revelação
de suas manipulações contábeis trouxeram
prejuízos para milhões de acionistas, além
de acabar com os planos de aposentadoria de milhares de
funcionários da gigante da energia elétrica.
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CONSELHOS PARA FUGIR DA TENTAÇÃO DE "PREÇO
BAIXO A QUALQUER CUSTO"
Desconfie
de preços muito abaixo do mercado. É impossível
manter um negócio com preços abaixo do custo
e não existe negócio sem lucro. Fique alerta
quando o preço estiver muito abaixo dos praticados
pelo mercado e quando não conseguir perceber de
onde vem o lucro. Se ele precisar ser escondido, algo
pode estar errado.
Desconfie
mais uma vez. Alguns argumentam que podem praticar preços
abaixo do mercado porque ganham em escala e têm
uma administração eficiente, o que pode
esconder o desespero por novos clientes que cubram "rombos"
de caixa e grandes perdas de clientes. Quando se trabalha
com prestação de serviços, que têm
custos elevados com mão-de-obra especializada,
impostos e tecnologia da informação, é
impossível manter preços abaixo do custo.
Ao
contratar um serviço, verifique se a empresa investe
em cursos de qualificação e especialização
de funcionários, assim como em tecnologia. Se precisar
reduzir o custo de um serviço ou produto que é
essencial, pense no que pode acontecer se a escolha implicar
em diminuição da segurança. Não
hesite em pagar mais caro pela qualidade. Em vez disso,
tente reduzir algo que está mais associado ao conforto
do que à necessidade.
Cobre
e comprove. Nunca feche um negócio sem procurar
saber previamente sobre a reputação e a
qualidade dos serviços que a empresa ou o profissional
oferecem.
Verifique
com quem a empresa trabalha (bancos, fornecedores), seu
capital social, quem são seus proprietários
e sua idoneidade. Exija referências e as confirme.
Seja
chato. Peça sempre explicações detalhadas
sobre os orçamentos recebidos, pergunte sobre o
por que de cada item, para que serve e como funciona.
Coloque
o preto no branco. No caso de um serviço, amarre
tudo num contrato detalhado. Ele é a garantia dos
consumidores. Na aquisição de um produto,
exija a nota fiscal e fique atento aos termos da garantia.
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INTELIGÊNCIA A SERVIÇO DA ECONOMIA
Algumas ações e cuidados podem ser aplicados
para reduzir as despesas do condomínio sem que
os síndicos precisem iniciar uma busca desesperada
por preços baixos. Pensando assim, o velho ditado
"é melhor prevenir do que remediar" nunca
foi tão atual. Em cada condomínio existem
potenciais pontos de economia a serem explorados, que
podem evitar sacrifícios desnecessários
por parte dos administradores. Durante a crise energética
que passamos, por exemplo, descobrimos dentro das nossas
casas as diversas despesas que podíamos abolir.
Hoje, o planejamento no gastar pode transformar-se em
rotina, bastando para isso uma boa dose de observação
e a aplicação de estratégias racionais
no uso dos recursos disponíveis.
Optar pelo mais barato pode trazer muita dor de cabeça,
em vez de ganhos. Não vale a pena arriscar a segurança
e a tranqüilidade de contar com empresas idôneas,
pelo simples fato de que se economizará alguns
reais. Em qualquer ramo, contratar serviços de
uma empresa sólida, estável, honesta e eficaz
sempre será um bom negócio e trará
grandes vantagens para o condomínio, ainda que
custe um pouco mais. Afinal, quem paga mal, paga duas
vezes, ou seja, sai mais caro. |
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PONTOS INVISÍVEIS DE POTENCIAL ECONOMIA
Mantenha sob contratos de manutenção
os equipamentos indispensáveis para o perfeito
funcionamento do condomínio, como elevadores,
bombas, extintores de incêndio, interfones,
portões automáticos, pára-raios,
antenas coletivas, filtros de piscina, geradores,
iluminação de emergência, minuterias
e hidrantes. Os custos de conservação
são muito menores do que a troca ou substituição
sempre que um destes equipamentos apresentar problemas
irreversíveis. O dinheiro aplicado na manutenção
deve ser considerado um investimento e não
uma despesa. |
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Evite a tentação da obra que sai mais
em conta, efetuada por um leigo, sem a devida qualificação
técnica. A economia de hoje pode representar
a despesa extraordinária de amanhã,
quando os defeitos começam a surgir e a obra
precisa ser refeita, sem falar nos perigos estruturais
para as edificações que um serviço
mal feito pode acarretar. Não se deve poupar
quando a segurança dos condôminos está
em jogo. A empresa ou pessoa física contratada
deve ser qualificada, registrada no CREA-RJ e deverá
registrar a obra neste órgão efetuando
a correspondente ART (Anotação de
Responsabilidade Técnica). Contratar certo
é o melhor negócio.
De acordo com levantamento feito pela ABADI, o consumo
de água representa em média 13% das
despesas do condomínio e os principais desperdícios
são os pequenos vazamentos, como nas válvulas
e nas caixas de descarga dos apartamentos. Contrate
um especialista para fazer uma inspeção
nas instalações hidráulicas
de todo o prédio a cada seis meses a fim
de detectar problemas de infiltração
na origem e evitar a deterioração
estrutural do edifício.
Oriente os empregados encarregados da limpeza sobre
o uso correto da água, oferecendo dicas como
as seguintes: usar a vassoura em vez do esguicho
para tirar o lixo dos pisos; não fazer a
limpeza com água em horas de muito movimento,
obrigando paradas no serviço; ao regar o
jardim, não exagerar na utilização
de água, que também pode prejudicar
as plantas.
Os gastos com energia representam 21% das despesas.
Economize instalando minuterias ou sensores de presença
nos corredores, o que evita lâmpadas acesas
desnecessariamente. Nos elevadores, instale sistemas
contra duplicidades de chamadas, contra chamadas
múltiplas e sinalizador de elevador preso
(úteis quando existem crianças no
condomínio, que acionam vários botões
ao mesmo tempo).
Invista em cursos de aperfeiçoamento dos
empregados, pois isso pode transformá-los
em grandes aliados do síndico na meta de
economizar. Eles podem desempenhar o papel dos "olhos"
do síndico, verificando periodicamente o
funcionamento dos equipamentos e alertando sempre
que constatarem algo errado para que o reparo possa
ser efetuado antes de se tornar caro demais.
Evite a deterioração de material de
limpeza, comprando quantidade para poucos meses.
Evite estocar material de limpeza em locais úmidos.
Oriente os funcionários a evitar o desperdício
e estabeleça um controle através do
acompanhamento do estoque e de retiradas.
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