PAN 2007

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O Carioca já saiu ganhando

Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Recreio, Engenho de Dentro, Méier e adjacências são alguns dos bairros cariocas que serão beneficiados com investimentos do mercado imobiliário, motivado pela injeção de recursos governamentais em infra-estrutura de transporte, saneamento e meio ambiente e com a garantia do aumento do fluxo de turistas. Tudo isso é conseqüência da realização dos Jogos Pan-Americanos, em 2007, na cidade do Rio de Janeiro. E muito mais pode vir pela frente se o Rio for escolhido como a sede das Olimpíadas de 2012. Só na indústria da construção civil, a expectativa é de investimentos da ordem de US$ 450 milhões. A prefeitura avalia ainda que serão criados 160 mil novos postos de trabalho, isso levando-se em conta o setor de construção e o hoteleiro.

  
- Eventos como PAN e os jogos olímpicos exigem um planejamento holístico do setor de construção civil. É necessário ter muito mais do que um projeto arquitetônico para instalação de hotéis e acomodação de atletas. O efeito de eventos como esses podem ser muito abrangentes para a economia de uma cidade. Mas o principal para que se tenha o resultado positivo desejado é que se planeje de que forma a estrutura poderá ser ocupada após os jogos. Em Barcelona, os empresários tiveram dificuldade em vender os imóveis após as Olimpíadas - exemplifica Thomas Govier , gerente da Jones Lang LaSalle, consultoria imobiliária internacional.
  
Na avaliação de Afonso Kuernez, vice-presidente da Ademi, além das possibilidades de novos investimentos imobiliários, a realização do PAN no Rio de Janeiro também valoriza empreendimentos já constituídos em bairros como Barra da Tijuca, que já começaram a receber investimentos em infra-estrutura urbana:   
   
- As obras de drenagem na Avenida Abelardo Bueno e a alça de tráfego que está sendo feita no encontro com a Avenida Ayrton Senna valorizam os empreendimentos que já existem no local. Mas, para aumentar o número de empreendimentos, é necessário que a Prefeitura faça algumas alterações na legislação, diz Kuernez, que não se arrisca a dar percentual de valorização dos imóveis já existentes na região.
  
Segundo Roberto Ainbinder, assessor para projetos especiais da secretaria municipal de Urbanismo, 80% das intervenções previstas para o Pan serão feitas na Barra da Tijuca, o que não quer dizer que outros bairros não se beneficiarão com investimentos em infra-estrutura:
  
- Teremos eventos em vários pontos da cidade: de Campo Grande e Deodoro a Copacabana e Glória. Acontece que, na Zona Sul, já temos bastante infra-estrutura. Por isso, o que trabalharemos nessas regiões é a melhoria do sistema viário e de transportes. O investimento será de US$ 300 milhões só por parte da Prefeitura, fora a iniciativa privada, diz Ainbinder. Ele refere-se aos projetos de veículo leve sobre trilhos, que ligarão a Barra da Tijuca ao Galeão e ao Santos Dumont, ao transporte hidroviário, que fará a ligação também da Barra ao Centro e ao Aeroporto Internacional, e ainda à criação de corredores expressos para ônibus articulados, que ligariam Jacarepaguá até a Penha.
  
A proposta da prefeitura, acrescenta Ainbinder, é de que até dezembro de 2006 esteja tudo pronto para que se possa realizar competições testes para chegar aos jogos sem surpresas.
   
- Fora os investimentos em espaços esportivos e transportes, temos também projetos voltados para o meio ambiente, como o de despoluição das lagoas da Tijuca e Jacarepagüá e reciclagem de lixo. Tudo isso garantirá uma melhor qualidade de vida para toda a cidade. E, se os Jogos Olímpicos de 2012 forem no Rio, podemos multiplicar todas essas benfeitorias por dez - diz Ainbinder, que para dar uma dimensão dos dois eventos informa que, para o Pan, são esperados 1.500 jornalistas. Já nas olimpíadas, a expectativa é de 20 mil.
  
É cedo ainda para apurar como está reagindo o mercado imobiliário diante de todos esses investimentos públicos e os privados que ainda estão por vir em infra-estrutura. Mas o fato é que a prefeitura já apurou um crescimento de 15% no número de licenciamentos do primeiro semestre de 2002 para o primeiro semestre de 2003 na região que abrange Engenho de Dentro (onde será construído o Estádio Olímpico), Méier, Todos os Santos e Encantado.
  
- Tratam-se de empreendimentos voltados às classes média e média baixa. Ainda não sabemos, no entanto, se esse resultado já é conseqüência dos investimentos para o Pan, mas acreditamos que no fechamento deste ano já se possa apurar os reflexos desses investimentos em infra-estrutura no desenvolvimento do mercado imobiliário da região e que os números sejam ainda mais expressivos do que os apurados até agora - diz Rose Compans, xxxxx, exemplificando que no primeiro semestre do ano passado foram licenciados 480 metros quadrados de obra no Méier, enquanto este ano o número chegou a 7.400 metros quadrados.
  
E os investimentos do setor, prevê Rose, não devem se restringir a empreendimentos residenciais. Ela aposta no licenciamento de hotéis na Barra da Tijuca e no Recreio, assim como empreendimentos comerciais e de lazer.
  
- Teremos a Vila Olímpica, que representa um mini-bairro dentro da Barra. Já temos o Rio 2, tudo naquela região próxima ao Autódromo, o que nos leva crer que serão necessários investimentos na área comercial para atender à demanda da classe média - diz Rose, acentuando que Jacarepaguá foi o bairro da região com maior número de licenciamentos no primeiro semestre deste ano: 1.900 unidades residenciais.
  
E, na avaliação da consultoria imobiliária Jones Lang LaSalle, o Rio de Janeiro tem grandes chances de abocanhar também as Olimpíadas de 2012. Isto porque, ressaltam os consultores, nunca houve uma Olimpíada no Hemisfério Sul e com Beijing, em 2008, será a segunda vez em que um país emergente sedia os jogos. A realização dos jogos pode trazer benefícios sociais para o Rio e Janeiro e colocar o Brasil na lista dos destinos de turismo mundial.
  
- Seria uma forma de o Rio mostrar suas características de cidade global, assim como Nova York, Paris, Hong Kong e Londres, e entrar de cabeça no mundo dos negócios. O efeito a mais longo prazo é atrair pessoas interessadas em sediar negócios na cidade. O objetivo é transformar a cidade num bom investimento aos olhos do mundo - diz Thomas Govier.
  
O consultor ressalta, no entanto, que seria necessário pensar como seria o uso intermediário dos equipamentos construídos para o Pan 2007, já que há uma distância de cinco anos entre o Pan-Americano e as Olimpíadas. Ou se seria melhor a construção de novos equipamentos a partir da capitalização com a venda dos imóveis da vila olímpica, exemplifica.
- O plano diretor da cidade deve ser readequado aos Jogos Olímpicos. Afinal, a valorização dos imóveis depois dos jogos vai depender de o planejamento de uso ter sido feito de forma adequada - conclui.

 
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