- Eventos como PAN e os jogos olímpicos
exigem um planejamento holístico
do setor de construção civil.
É necessário ter muito mais
do que um projeto arquitetônico
para instalação de hotéis
e acomodação de atletas.
O efeito de eventos como esses podem ser
muito abrangentes para a economia de uma
cidade. Mas o principal para que se tenha
o resultado positivo desejado é
que se planeje de que forma a estrutura
poderá ser ocupada após
os jogos. Em Barcelona, os empresários
tiveram dificuldade em vender os imóveis
após as Olimpíadas - exemplifica
Thomas Govier , gerente da Jones Lang
LaSalle, consultoria imobiliária
internacional.
Na avaliação de Afonso Kuernez,
vice-presidente da Ademi, além
das possibilidades de novos investimentos
imobiliários, a realização
do PAN no Rio de Janeiro também
valoriza empreendimentos já constituídos
em bairros como Barra da Tijuca, que já
começaram a receber investimentos
em infra-estrutura urbana:
- As obras de drenagem na Avenida Abelardo
Bueno e a alça de tráfego
que está sendo feita no encontro
com a Avenida Ayrton Senna valorizam os
empreendimentos que já existem
no local. Mas, para aumentar o número
de empreendimentos, é necessário
que a Prefeitura faça algumas alterações
na legislação, diz Kuernez,
que não se arrisca a dar percentual
de valorização dos imóveis
já existentes na região.
Segundo Roberto Ainbinder, assessor para
projetos especiais da secretaria municipal
de Urbanismo, 80% das intervenções
previstas para o Pan serão feitas
na Barra da Tijuca, o que não quer
dizer que outros bairros não se
beneficiarão com investimentos
em infra-estrutura:
- Teremos eventos em vários pontos
da cidade: de Campo Grande e Deodoro a
Copacabana e Glória. Acontece que,
na Zona Sul, já temos bastante
infra-estrutura. Por isso, o que trabalharemos
nessas regiões é a melhoria
do sistema viário e de transportes.
O investimento será de US$ 300
milhões só por parte da
Prefeitura, fora a iniciativa privada,
diz Ainbinder. Ele refere-se aos projetos
de veículo leve sobre trilhos,
que ligarão a Barra da Tijuca ao
Galeão e ao Santos Dumont, ao transporte
hidroviário, que fará a
ligação também da
Barra ao Centro e ao Aeroporto Internacional,
e ainda à criação
de corredores expressos para ônibus
articulados, que ligariam Jacarepaguá
até a Penha.
A proposta da prefeitura, acrescenta Ainbinder,
é de que até dezembro de
2006 esteja tudo pronto para que se possa
realizar competições testes
para chegar aos jogos sem surpresas.
- Fora os investimentos em espaços
esportivos e transportes, temos também
projetos voltados para o meio ambiente,
como o de despoluição das
lagoas da Tijuca e Jacarepagüá
e reciclagem de lixo. Tudo isso garantirá
uma melhor qualidade de vida para toda
a cidade. E, se os Jogos Olímpicos
de 2012 forem no Rio, podemos multiplicar
todas essas benfeitorias por dez - diz
Ainbinder, que para dar uma dimensão
dos dois eventos informa que, para o Pan,
são esperados 1.500 jornalistas.
Já nas olimpíadas, a expectativa
é de 20 mil.
É cedo ainda para apurar como está
reagindo o mercado imobiliário
diante de todos esses investimentos públicos
e os privados que ainda estão por
vir em infra-estrutura. Mas o fato é
que a prefeitura já apurou um crescimento
de 15% no número de licenciamentos
do primeiro semestre de 2002 para o primeiro
semestre de 2003 na região que
abrange Engenho de Dentro (onde será
construído o Estádio Olímpico),
Méier, Todos os Santos e Encantado.
- Tratam-se de empreendimentos voltados
às classes média e média
baixa. Ainda não sabemos, no entanto,
se esse resultado já é conseqüência
dos investimentos para o Pan, mas acreditamos
que no fechamento deste ano já
se possa apurar os reflexos desses investimentos
em infra-estrutura no desenvolvimento
do mercado imobiliário da região
e que os números sejam ainda mais
expressivos do que os apurados até
agora - diz Rose Compans, xxxxx, exemplificando
que no primeiro semestre do ano passado
foram licenciados 480 metros quadrados
de obra no Méier, enquanto este
ano o número chegou a 7.400 metros
quadrados.
E os investimentos do setor, prevê
Rose, não devem se restringir a
empreendimentos residenciais. Ela aposta
no licenciamento de hotéis na Barra
da Tijuca e no Recreio, assim como empreendimentos
comerciais e de lazer.
- Teremos a Vila Olímpica, que
representa um mini-bairro dentro da Barra.
Já temos o Rio 2, tudo naquela
região próxima ao Autódromo,
o que nos leva crer que serão necessários
investimentos na área comercial
para atender à demanda da classe
média - diz Rose, acentuando que
Jacarepaguá foi o bairro da região
com maior número de licenciamentos
no primeiro semestre deste ano: 1.900
unidades residenciais.
E, na avaliação da consultoria
imobiliária Jones Lang LaSalle,
o Rio de Janeiro tem grandes chances de
abocanhar também as Olimpíadas
de 2012. Isto porque, ressaltam os consultores,
nunca houve uma Olimpíada no Hemisfério
Sul e com Beijing, em 2008, será
a segunda vez em que um país emergente
sedia os jogos. A realização
dos jogos pode trazer benefícios
sociais para o Rio e Janeiro e colocar
o Brasil na lista dos destinos de turismo
mundial.
- Seria uma forma de o Rio mostrar suas
características de cidade global,
assim como Nova York, Paris, Hong Kong
e Londres, e entrar de cabeça no
mundo dos negócios. O efeito a
mais longo prazo é atrair pessoas
interessadas em sediar negócios
na cidade. O objetivo é transformar
a cidade num bom investimento aos olhos
do mundo - diz Thomas Govier.
O consultor ressalta, no entanto, que
seria necessário pensar como seria
o uso intermediário dos equipamentos
construídos para o Pan 2007, já
que há uma distância de cinco
anos entre o Pan-Americano e as Olimpíadas.
Ou se seria melhor a construção
de novos equipamentos a partir da capitalização
com a venda dos imóveis da vila
olímpica, exemplifica.
- O plano diretor da cidade deve ser readequado
aos Jogos Olímpicos. Afinal, a
valorização dos imóveis
depois dos jogos vai depender de o planejamento
de uso ter sido feito de forma adequada
- conclui.
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