| |
|
| JANETE
ZOLUBAS SAONA
DESPESA COM ÁGUA REDUZIDA PELA
METADE
Durante anos, a dona de casa Janete Zolubas
Saona conviveu com dificuldades para tomar
uma boa ducha. Levando tudo 'na esportiva",
dizia que só podia tomar banho
direito quando o Brasil jogava futebol.
Proprietária de um imóvel
de quase 20 anos em São Conrado,
no Condomínio do Edifício
Residencial Praia da Gávea, tinha
um chuveiro que não passava de
um pinga-pinga por causa dos canos enferrujados.
No ano de 2001, foi eleita síndica
e teve a oportunidade de resolver definitivamente
o problema que afligia não só
a ela, mas também aos demais moradores:
o problema da água. |
 |
Waldemar Ventura, que morava há dez anos
no condomínio, conta que a falta de controle
no gasto de água pesava no bolso. "Com
as iniciativas que a síndica adotou,
a conta foi reduzida, em pelo menos, 50%",
afirma. Uma vitória para Janete que,
além de ganhar o direito de uma chuveirada
decente, conseguiu reduzir para 2 mil reais
o valor pago pela água, que freqüentemente
chegava a 7 mil reais por mês. Com a economia,
fez inúmeras obras de melhoria geral
do prédio, enfrentando com bom humor
todo o tumulto causado pela troca de canos e
colunas d'água, coisa que somente os
síndicos que já passaram por isso
sabem o que é: "Vê o que a
gente tem de passar para poder tomar um banho?!",
brinca a síndica. E o benefício
não foi somente dela. "A economia
alcançada foi um feito espetacular",
comemora o morador.
Janete
conta que tudo o que conseguiu fazer foi com
o apoio do marido, o engenheiro José
Reinaldo Saona. Juntos, tiveram como primeira
iniciativa conhecer o consumo real de água,
fazendo uma vistoria geral no prédio,
tanto na área comum como dentro dos apartamentos,
e acabaram com todos os vazamentos. "Procuramos
manter por vários dias a água
num mesmo nível, repondo o consumo sempre
às 8h da manhã até esse
mesmo nível. Dessa forma, chegamos a
uma média de consumo de 27 a 30 metros
cúbicos por dia", lembra. O controle
diário foi essencial para identificar
perdas d'água. "Também toda
noite o vigia verificava a existência
ou não de ruídos de água
correndo pelas colunas de esgoto, reportando
qualquer anormalidade na primeira hora do dia.
Se houvesse a necessidade de completar mais
de 30 metros de água, tínhamos
como saber em qual coluna procurar vazamento",
relata José Reinaldo.
Segundo
o engenheiro, a maioria dos vazamentos era motivada
por descargas de vasos sanitários desreguladas
ou torneiras que não fechavam adequadamente.
Como o custo de contratação de
uma empresa para a troca das colunas era muito
alto, a administração optou pela
contratação de bombeiros hidráulicos
autônomos, trabalhando sob a orientação
de José Reinaldo. Todos os consertos
passaram a ser providenciados de imediato e
por conta do condomínio. "O morador
nunca tem tempo, muitas vezes não conhece
um profissional de confiança e protela
a correção dos problemas de vazamento.
É melhor o condomínio assumir
essa despesa do que ter que arcar com uma conta
exorbitante de água", garante a
síndica.
| A
administração adotou o procedimento
de controle, fazendo dele uma rotina diária.
E a maioria das colunas de água
dos banheiros foram trocadas preventivamente.
"Abrindo a parede, a gente acha muita
coisa. É sempre uma surpresa. Muitos
consertos mal feitos, materiais inadequados,
canos velhos com sinais de vazamentos,
costura de canos abrindo, etc. Os acabamentos
são outro grande problema: tem
materiais que já saíram
de linha e que não são fabricados
há mais de 10 anos; revestimentos
especiais e azulejos decorados que nunca
vão ficar iguais aos novos; e tem
muito morador que não quer nem
saber disso, o que transforma a iniciativa
de restabelecer água limpa em uma
situação de conflito. São
obras muito trabalhosas que demandam muito
tempo e paciência para lidar com
condôminos, mas os resultados indiscutivelmente
estão aí", conta o
engenheiro. "É bastante desgastante;
alguns dão total apoio e até
acham que a gente faz milagre, mas sempre
há quem nunca está satisfeito.
A questão é que agora estou
tomando banho muito bem", defende
a síndica. |
 |
O
resultado de tanto trabalho gerou a redução
do consumo de 55 a 60 metros cúbicos
para 27 a 30 metros cúbicos por dia,
ou seja, a metade, o que deixa a síndica
muito satisfeita e é uma realização
reconhecida pela grande maioria dos moradores.
Boa
administração também no
cuidado geral com o prédio
Além da correção do problema
d'água do condomínio, Janete investiu
parte dos recursos obtidos com a redução
da conta de água em melhorias, que vão
desde as de segurança às estéticas,
dando um maior conforto até aos empregados:
"Não queríamos quebrar a
coluna de ninguém, por isso trocamos
as tampas das caixas da cisterna, que eram de
ferro, por outras feitas de alumínio.
Elas vedam melhor e são mais leves, permitindo
que o trabalho diário de controle do
nível de água seja feito com menor
esforço", conta.
A
síndica também trocou pára-raios,
seções de canos de gás,
corrimão da escada de incêndio
e portas de lixeiras, colocou luz de emergência
com alarme em diversas áreas, guarda-sóis,
cadeiras e mesas próximos à piscina,
restaurou as cadeiras do salão de festas,
construiu uma copa e colocou fogão, mesas
e cadeiras. Para os funcionários, foram
adquiridos contentores de lixo conforme padrão
da Comlurb. Também trocou os carrinhos
de supermercado e os interfones, entre outras
tantas melhorias.
Satisfeita
com o resultado alcançado, Janete se
candidatou novamente e se reelegeu, agora com
um novo desafio: trocar as colunas de água
da cozinha. "Estas colunas também
estão enferrujadas: a água mancha
as roupas e entope os filtros de água",
diz. Desde que assumiu, a cota condominial não
teve aumento durante os últimos dois
anos. "Temos feito tudo somente com a economia
proporcionada pelo controle e pela correção
de perdas d'água, uma das contas que
mais oneram o condomínio. Vale ou não
vale toda a dor de cabeça de fazer o
que precisa ser feito?", conclui a síndica.
|