PORTEIROS

A vida útil das 180 lâmpadas que iluminam a área comum do condomínio Lord Byron, na Lagoa, é controlada de perto por José Garcia Sobrinho, o porteiro-chefe do edifício. Em um caderno, ele anota a data de troca de cada uma delas, o que, ao longo do tempo, já o fez eleger as suas marcas favoritas. Afinal, diz ele, "uma lâmpada não pode durar menos de quatro meses". O cuidado exacerbado com as lâmpadas é apenas uma das facetas da conduta do porteiro. Durante o racionamento de energia, por exemplo, ele controlou pessoalmente o consumo diário de cada morador para garantir que ninguém ultrapassasse as suas metas.
  
- Ele teve papel fundamental para que cumpríssemos a nossa meta. Todos os dias ele me entregava um papel com o consumo do dia anotado. Assim, eu poderia calcular quanto ainda podia gastar. Foi uma ótima ajuda - lembra Aurora Maria Soares Neiva, moradora do Lord Byron há 22 anos.

  
Aliás, foi Aurora quem indicou Sr. Zé, como ele é conhecido pelos moradores, para o cargo de porteiro-chefe. 
  
- Lembro perfeitamente quando o porteiro-chefe teve de deixar o prédio e todos os moradores estavam empenhados em encontrar um substituto para o cargo. Foi quando indiquei Sr. Zé, que já mostrava seu talento para esse tipo de trabalho - conta ela.
  
Sr. Zé começou a trabalhar no Lord Byron em 1978 quando o edifício ainda estava na fase final da construção. A discrição e o cuidado que sempre demonstrou fizeram com que o porteiro conquistasse a confiança dos moradores.
  
O dia do porteiro se divide em dois turnos: na parte da manhã, ele ocupa a portaria do edifício e, à tarde, percorre os 15 andares do prédio para verificar de perto se está tudo em ordem com as instalações do edifício. A "blitz do seu Zé" acontece diariamente e já é famosa entre os moradores. O objetivo é prevenir problemas no condomínio.
  
- Todos os dias verifico se há vazamentos, se as instalações elétricas estão em perfeito estado e se as lixeiras estão bem limpas. Enfim, gosto de saber tudo o que está acontecendo, pois assim posso tomar as providências antes que os problemas realmente apareçam - conta Sr. Zé.
  
O cuidado com o condomínio não se restringe às instalações. O tratamento com moradores e empregados dos 23 apartamentos do Lord Byron também merece atenção especial do porteiro, que conhece todos pelo nome.
  
- Todos têm que ser tratados com a mesma deferência. Por isso, quando chega morador ou empregado novo já me apresento e, assim, fico sabendo o nome de cada um. Exijo que minha família faça o mesmo - conta o porteiro, que mora no prédio com a mulher e dois filhos, de 16 e 11 anos de idade, nascidos e criados ali.
  
O apreço dos moradores foi especialmente demonstrado há cinco anos, quando Sr. Zé sofreu um acidente e quebrou a perna, o que o obrigou a ficar três meses afastado fisicamente do trabalho. Fisicamente, sim, pois a cabeça continuava na administração do prédio.
  
- Foi uma época difícil, mas descobri que meu trabalho era reconhecido. Alguns moradores chegaram a deixar seus carros à minha disposição para que eu pudesse ir ao médico. Ter credibilidade foi a minha maior conquista nestes 25 anos de trabalho aqui no prédio - orgulha-se o porteiro-chefe.
  

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