CUPIM
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Se alguém reclamar da presença de cupim no seu prédio, fique alerta! É que, muitas vezes, quando começa a pipocar no condomínio relatos de várias infestações do inseto, isso pode ser sinal de que o problema pode estar na estrutura do edifício: os chamados cupins subterrâneos.

- Há casos em que esses cupins já estão no prédio desde a construção. Eles vão consumindo o madeiramento deixado entre lajes, por exemplo, e, quando a fonte de alimentação acaba, invadem os apartamentos em busca de mais comida. Quando isso acontece, a descupinização só é realmente eficiente quando é feita em toda a edificação - explica o biólogo Márcio Mello, especializado em controle de pragas.

Mello explica que, quando o tratamento se restringe aos apartamentos, o que acontece é a migração de cupins de uma unidade para outra ainda não imunizada, formando-se um ciclo vicioso. Segundo o especialista, nos Estados Unidos já existe uma política preventiva em relação à infestação de cupim. O tratamento no solo é feito antes mesmo da construção e é determinante para a concessão de financiamento e seguro. No Brasil, no entanto, isso ainda está longe de acontecer. Em parte, diz ele, por conta do custo do tratamento e também pelo desconhecimento da forma de desenvolvimento dos cupins.
  
- A infestação de cupim pode não abalar a estrutura da casa, já que não é verdade que ele se alimenta de concreto, mas destrói portas, tacos e armários, tudo que puder ser fonte de alimentação. Quanto maior a infestação mais caro fica o tratamento - alerta.
  
Segundo Mello, hoje há técnicas modernas que permitem a eliminação de colônias inteiras, com garantia de até cinco anos.
  
- Os cupins são organizados em castas como as abelhas. Nesse sistema, os operários responsáveis pela alimentação da colônia são contaminados com o produto, que ao longo do tempo impede o seu desenvolvimento. Com a morte dos operários, a colônia acaba sendo eliminada - explica o biólogo.
Nenhuma técnica, no entanto, elimina a necessidade de uma inspeção preventiva anual, diz o professor titular de Entomologia da Universidade Rural do Rio de Janeior (UFRRJ), Eurípedes Barsanulfo Menezes, uma das maiores autoridades do país em controle de cupim. O professor defende que, de dois em dois anos, seja feito um tratamento preventivo com pesticida, mesmo que não haja cupim no imóvel.
  
- No caso dos cupins que atacam móveis a prevenção é simples. Deve-se estar atento aos primeiros sinais de cupim e, encontrado o foco, basta aplicar um inseticida aerosol para eliminar a colônia - garante Barsanulfo.
  
O estudioso descobriu recentemente uma nova espécie de cupim no Estado do Rio de Janeiro: o rhinotermes marginalis. A espécie, que se movimenta numa velocidade tão grande que não é captada pelo olho humano, se reproduz mais rapidamente do que a espécie conhecida como cupim de concreto e, a má notícia, também atravessa a alvenaria.  
  
- O alimento preferido dessa espécie é o papelão. Já a encontrei em casas da Região Oceânica de Niterói, em imóveis em Botafogo e na cidade de Pinheiral, no Vale do Paraíba - diz Barsanulfo.
  
Os cupins já existem na terra há quatro milhões de anos, ou seja, muito antes do primeiro homem surgir no continente africano. Tanto tempo de "estrada" deu a esse inseto uma grande capacidade de se adaptar a condições adversas e fugir dos ataques humanos.

   
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