PROJETOS DE LEI:

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PROPOSTAS NEM SEMPRE BENÉFICAS PARA OS CONDOMÍNIOS.

  
São cerca de 140 projetos de lei em andamento na Câmara dos Deputados ou no Senado Federal atualmente que interferiram diretamente no setor de imóveis, segundo o Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e Comerciais do Estado do Rio de Janeiro (Secovi-RJ). Destes, pelo menos vinte são projetos de lei voltados especificamente para os condomínios. Um conjunto de boas ou más idéias, aplicáveis ou absolutamente inviáveis. "Nem sempre os legisladores têm conhecimento suficiente sobre o setor para prever as conseqüências de suas propostas", diz Pedro Wahmann, presidente do Secovi-RJ.
  
O Sindicato tem um departamento, hoje instalado em Brasília, que acompanha e, sempre que necessário, tenta interferir nas propostas dos legisladores. "Nem todos são prejudiciais. Alguns são frutos de cobranças do próprio setor através de suas entidades reguladoras, como é o caso do projeto de lei de número 1323, de 2003, que propõe modificar o percentual de multa por atraso no pagamento da cota condominial", contemporiza. É que este, se transformado em lei, representará uma correção de rota para um dos artigos mais polêmicos do Código Civil que entrou em vigor no início deste ano. O projeto determina que os condôminos inadimplentes fiquem sujeitos aos juros moratórios convencionados, ou, caso estes não sejam previstos, os de 1% ao mês, e multa sobre o débito aplicada progressiva e diariamente à taxa de 0,33% até o limite estipulado pela Convenção de Condomínio, não podendo ser superior a 10%.

Uma queixa comum dos representantes das entidades reguladoras do setor de administração de imóveis é a intervenção em assuntos de foro privado: "Muitas vezes, o legislador interfere em uma matéria privada que de modo algum diz respeito ao direito público ou coletivo", afirma o advogado Manoel Maia, ex-presidente da Associação Brasileira de Administradoras de Imóveis.

    

Ele é totalmente contrário a, pelo menos, três dos projetos em andamento pelos prejuízos previsíveis que trarão caso venham a ser sancionados. "O que poderá acontecer a partir da proibição a outorga de mais de três procurações a uma mesma pessoa; a proibição da reeleição de síndicos por mais de um mandato; ou a limitação do direito de voto do proprietário de várias unidades? Causarão mais problemas que soluções. Compete aos condôminos comparecer às assembléias e votar para a retirada de um mau síndico ou coibir abusos por parte dos detentores de grande número de procurações ou de unidades", defende. "Já é tão difícil encontrar quem se disponha a ser síndico, depois os moradores podem estar muito satisfeitos com a administração e não querer mudar", concorda Pedro Wahmann.

Os profissionais, ambos com longos anos de experiência, chamam atenção especialmente para o que pode trazer grandes transtornos ou se tornar um problema de difícil solução: "A obrigação de instalação de medidores individuais de consumo de água ou do uso de sensor para vazamento de gás em edifícios residenciais a partir de 5 andares, por exemplo, são propostas ótimas, mas para novos empreendimentos. Para os prédios já construídos, alguns muito antigos, torna-se inviável. Será como a obrigação de dar acesso aos deficientes físicos, correto e louvável porém especialmente complicada para algumas construções", analisa o presidente do Secovi-RJ.
  
Ele cita ainda uma das propostas voltadas para a questão da locação, proibindo o uso da fiança. "Ou seja, querem retirar a principal garantia do proprietário que quer alugar o seu imóvel", questiona.
É por estes e outros motivos que o Sindicato transferiu o seu departamento de Relações Políticas e Institucionais para Brasília, mantendo profissionais full time acompanhando a apresentação de propostas e o seu andamento. Além disso, a entidade reúne a cada dois meses seus representantes dos diferentes estados do país para discutir a necessidade de intervenção em algumas questões: "A partir do que é deliberado, cada estado, com seus parlamentares e seus contatos políticos, busca corrigir distorções. Para isso, participamos também de audiências públicas, levando especialistas que possam apontar equívocos e propor caminhos mais adequados", conta.
  
Esta atuação é de extrema importância, pois até mesmo quando o legislador atende a opinião pública pode se ver obrigado, pelo bem da população, a repensar sua proposta. Foi o que aconteceu recentemente, no Rio de Janeiro, quando o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Vereadores, Rodrigo Bethlem, apresentou projeto de lei sugerindo a extinção do sinal sonoro nas saídas de garagem, atendendo às solicitações de diferentes associações de moradores. A intenção de substituir o ruído por placas de alerta aos motoristas, dizendo que a prioridade é do pedestre, esbarrou na questão da segurança dos deficientes visuais. A saída para o deputado foi promover uma audiência pública, convidando representantes dos diversos lados interessados e incluindo as associações de deficientes visuais.
  

Obrigações futuras

Pode-se prever que algumas questões venham a ser objeto de muitos novos projetos de lei que interfiram na rotina dos condomínios. O controle e a redução do consumo de água é um exemplo. Sobre este tema, já tramitam dois projetos que obrigam o poder executivo a instituir um programa de captação de águas pluviais, com campanhas de orientação para a população, e o que determina que as novas construções sejam entregues com dispositivos hidráulicos para o controle e a redução do consumo de água.
  
Apesar de terem como foco o poder público, eles sinalizam para a possibilidade de virem a ser transformados em obrigações para os condomínios. "Por concentrarem um grande número de pessoas, os condomínios são estratégicos para quaisquer ações que vierem a ser adotadas no sentido da conscientização para a economia de água. Mas isto não representaria mais um ônus, pelo contrário, seria uma forma de reduzir a conta de água, contribuindo ainda para a preservação ambiental", defende o deputado Marco Figueiredo, autor dos projetos relativos à questão da água.
  
Para os portadores de deficiências físicas, já foi divulgada a criação de uma instrução técnica, a número 12, que determina que os edifícios a serem construídos na cidade, assim como os já existentes, deverão contar, pelo menos, com um elevador adaptado para o uso dos deficientes. A nova norma, assim como todas as demais relacionadas a elevadores, é de responsabilidade da Gerência de Engenharia Mecânica da Rioluz.
  

  

CONHEÇA ALGUNS DOS PROJETOS DE LEI EM TRAMITAÇÃO
  
PL 0217/2003 - visa a tornar obrigatório que os elevadores de edifícios públicos ou de uso coletivo sejam equipados com interfones e luzes de emergência
  
PL 0316/1999 - dispõe sobre a obrigatoriedade de os shopping centers contarem com ambulâncias ou UTIs móveis para transporte de vítimas de emergência.
  
PL 2914/2000 - acrescenta dispositivo à Lei 4591/64, que dispõe sobre condomínios e incorporações imobiliárias. (Obriga o síndico a apresentar em assembléia toda a documentação do condomínio, inclusive certidões negativas do FGTS e do INSS).
  
PL 3833/1997 - obriga o uso de sensor para vazamento de gás em edifícios residenciais a partir de 5 andares e em estabelecimentos comerciais e industriais.
  
PL 4931/2001 - torna obrigatória a instalação de medidor de consumo de água em cada domicílio, inclusive nos edifícios de uso coletivo.
  
PLC 0067/2000 - acrescenta dispositivos à Lei nº 4591/64, no capítulo referente à convenção de condomínio. (Obriga o registro da convenção de condomínio num prazo máximo de 2 anos a contar da concessão do "habite-se"). Já está no Senado, onde o relatório foi recebido pelo Senador Tasso Jereissati, com voto pela aprovação do Projeto.
  

  
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