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 Segurança ou invasão de privacidade?
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Com a miniaturização e a popularização das câmeras de vídeo cresceu enormemente a utilização dos circuitos internos de TV. Seja no trânsito, onde os olhares mecânicos da CET-Rio e do DER flagram infrações, seja em supermercados, bancos, lojas, nos meios de transporte e condomínios comerciais e residenciais, que optam pelas câmeras na busca de intimidar os maus intencionados, é cada vez mais comum nos depararmos com cartazes com a inscrição: "Sorria, você está sendo filmado". O aviso pode até não ser verdadeiro; mas, pelo sim, pelo não, quem acredita estar sendo filmado já assume uma postura diferente. "A idéia é esta", explica o porteiro-chefe do Condomínio Edifício Senador Dantas, no Centro do Rio, Ubirajara Ribeiro dos Santos.

Logo que o circuito interno de TV foi implantado, muitos não sabiam que estavam sendo filmados e, com isso, a administração pode constatar que grande parte dos atos de vandalismo e roubos eram cometidos por aqueles que diariamente freqüentam o Edifício. Os condôminos flagrados foram advertidos e rapidamente todos passaram a saber do sistema. "O comportamento mudou, antes jogavam cigarro acesso pela janela, apertavam todos os botões dos elevadores, cuspinham e até faziam coisas piores em seu interior", conta Ubirajara.

O síndico do condomínio Geraldo Magela diz que a colocação da placa avisando da utilização das câmeras foi feita logo em seguida a instalação do sistema. "A empresa que instalou nos ofereceu uma placa das mais comuns, do tipo "Sorria, etc." mas não gostei, preferindo outra que comunica que o prédio possui monitoramento por circuito interno de TV"", conta. Mas, apesar da inadvertência inicial, ninguém se queixou. "Foram os próprios condôminos que pediram a instalação do sistema como medida para evitar assaltos e a sua aprovação foi total", garante.

PREOCUPAÇÃO COM A SEGURANÇA É MAIS FORTE
A comunicação é importante para evitar constrangimentos e atritos no condomínio. Uma moradora da Barra, que não quis se identificar, conta que ouviu os porteiros rindo e fazendo comentários sobre uma vizinha que, sem saber das câmeras, utilizara o espelho do elevador para acertar a roupa no corpo. O caso acabou em discussão levada à assembléia, com o síndico sendo cobrado à informar sobre os lugares onde havia instalado os olhos mecânicos.
O porteiro-chefe do Senador Dantas, reconhece que, neste caso, houve falta de seriedade e profissionalismo dos colegas do condomínio da Barra. Mas diz que as pessoas têm que se sentir mais à vontade, pois as câmeras visam apenas à segurança. "Aqui há um espelho grande na portaria e as mulheres se arrumam. Isso é normal. Mas a gente tem que respeitar, até fingir que não viu. As câmeras não são instaladas para isso. O problema é que quando a pessoa se vê sozinha, parece que muda de comportamento", contemporiza Ubirajara.
"Não há constrangimento se as câmeras são utilizadas para a segurança", também defende Jorge Oscar, síndico Geral do condomínio Garden Park, no Grajau. Os 2.500 moradores contam com câmeras colocadas em locais estratégicos, como as garagens, a entrada e saída de veículos e nos elevadores, parte integrante de iniciativas no estilo linha dura para a questão da segurança: "Em breve estaremos instalando câmeras também no último andar dos prédios, no acesso para o telhado, onde ficam a casa de máquinas, os exaustores e o sistema de incêndio. A medida visa evitar que os garotos subam lá para cometer atos de vandalismo, formar maconha ou namorar", adianta. Segundo o síndico, com o sistema os problemas de vandalismo o condomínio caíram 70%. Quem é flagrado fazendo algo errado advertido e multado. Casos semelhantes ao do condomínio da Barra nunca foram registrados.

CONSTRANGIMENTO SOMENTE EM LOCAIS PRIVADAS
Mas, mesmo com o sucesso das câmeras para a questão da segurança, a preocupação com a privacidade persiste. Há quem questione se sua utilização não infringe direitos ou mesmo se o monitoramento não causaria algum tipo de distúrbio psicológico. O psiquiatra Luiz Alberto Py, esclarece que somente se uma pessoa fosse filmada ostensivamente, ou seja, 24 horas por dia, em todos os locais pelos quais circulasse, ela correria o risco de ter algum desgaste psicológico. "Mesmo nos programas de TV, como o Casa dos Artistas ou Big Brothers, onde isto ocorre, as pessoas não sofrem com isto. Elas têm noção de que estão atuando para o público", afirma.

Para Py, os sistemas incomodam quando a intimidade é invadida. Ele conta que quando morou nos EUA, o bairro era monitorado por helicópteros do corpo de bombeiros que sobrevoavam a área para vistoriar piscinas e até gramados. "Mato alto ou águas poluídas levava os moradores a pagar multas. Este é um tipo de monitoramento que tende a tratar a população como crianças, em uma atitude de tutela. Mas neste caso, o me incomodava mais era o quanto eles passavam baixo, invadindo a nossa privacidade", avalia.

Segundo sua avaliação, em locais públicos as câmeras ao contrário de representar problemas, transmitem sensação de segurança. "Quando entro em um caixa eletrônico e vejo que estou sendo filmado me sinto mais seguro. Em muitos lugares as câmeras garantem um sentimento de proteção", diz.

De qualquer maneira, a população deve estar preparada e, à exemplo dos participantes dos programas de TV, aproveitar os benefícios do sistema, já que a tendência é de que cada vez mais eles se estendam a todos os locais. Já se cogitou utilizar as câmeras da CET-Rio para a vigilância das ruas nas áreas de maior índice de criminalidade e também tivemos o exemplo da utilização do dirigível no Rio, filmando do alto todas as regiões. E será a demanda por ações contra a violência na cidade que acabará levando as prefeituras e governos a investir na utilização da monitoração ostensiva.

  

EUA PREPARA SISTEMA DE MONITORAMENTO TOTAL
Nos EUA o medo do terrorismo possivelmente liberará a utilização de um sistema denominado Sistema Total de Informações, cuja sigla em inglês é TIA. Composto por uma rede de computadores e um a gigantesca rede de vídeo em circuito fechado, ele visa monitorar detalhadamente a vida das pessoas naquele país, registrando e cruzando informações sobre tudo o que elas dizem ou fazem. O sistema será apresentado no início do ano quando o Partido Republicano assumir a maioria na Câmara e no Senado.

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