portp.jpg (21132 bytes)

Porteiros

porteiro.jpg (11203 bytes)Uma pessoa com especial sensibilidade para lidar com idosos é valiosa num bairro como Copacabana, onde a maioria dos habitantes está na terceira idade. O edifício Arlette Dannon, da rua Paula Freitas, tem o privilégio de ter um porteiro assim. Alexandre de Souza, 58 anos, 26 de trabalho no prédio, é conhecido pela solicitude que tem, não só com os condôminos, mas também com os vizinhos e pessoas que circulam pela rua. "A pessoa que não gosta de idoso, de criança e de flores está de mal com a vida, não tem amor", explica Alexandre. Para ele, maltratar os mais velhos é uma ignorância, "porque aqui plantamos para colher e todo mundo vai ficar velho um dia", filosofa.

Não é sem motivo que o porteiro é o xodó da síndica Maria Helena e dos demais condôminos. Alexandre tem ótimo relacionamento com todos: viu a maioria ter filhos e agora netos. A síndica conta que ele é sempre zeloso com as pessoas e quando observa que algum morador precisa de ajuda, toma todas as providências, procurando inclusive pela família, quando este vive sozinho. "Há casos especiais, como o de uma senhora que tem medo de tempestades e que nunca fica só nessas ocasiões, pois ele corre em seu socorro. Outro exemplo de zelo e sensibilidade de Alexandre está no jardim, plantado por ele na entrada do prédio, com mudas que trouxe de casa. Ninguém mexe, porque, para ele, arrancar um galho é como arrancar uma unha ou um dente sem anestesia", ressalta Maria Helena.

O porteiro é querido até pelos estrangeiros, que todo ano alugam apartamentos do prédio por temporada e trazem presentes para ele. No último verão, uma enchente em Magé, onde mora com a família, fez com que perdesse tudo. E prontamente, os moradores do Arlette se mobilizaram. Ganhou dinheiro, geladeira, jogo de sofá. Todos quiseram ajudar. "Para mim, isso aqui é como uma família", diz Alexandre. Sobre o episódio, volta a filosofar dizendo que, enquanto há vida, há esperança e que por isso não desanima. Sabe que tudo vai se resolver.

Alexandre começou a trabalhar no Arlette em 1975 por intermédio de um amigo, e atuou como faxineiro e vigia antes de assumir a função de porteiro. Para ele, a profissão ensina a conviver, a compreender as pessoas e a ter paciência. A qualquer um que queira exercer a atividade, orienta para a necessidade de se ter muita educação, ser simpático e atencioso. "Tem que ser como o palhaço, que usa uma máscara. Às vezes, por trás dela, está amargurado, cheio de problemas, mas como não resolve passar para os outros, segue seu trabalho", ensina.



[Capa] [Editorial] [Expediente] [Cartas] [Deu Certo] [Porteiros] [ClassiReport]
[Painel Imobiliário de Compra e Venda] [Painel Imobiliário de Locação]

Voltar à página anterior

Base Software® - 1998