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Água nos Condomínios - Falta de cuidados pode afetar a sua qualidade

Noventa por cento das pessoas não sabe onde fica o reservatório de água de seus condomínios. Questionam sobre tudo nas assembléias, mas jamais perguntam sobre a qualidade da água que consomem. Sobre ela, sabem apenas que pesa no orçamento e consequentemente na cota condominial. Dessa forma, não podem ajudar o síndicos na tarefa de cuidar de selar pela saúde de todos. Segundo o chefe de divisão de qualidade de água da Cedae, o engenheiro químico Alberto Gomes, é importante que os moradores, além de saber onde ficam as cisternas, observem se são bem tampadas e limpas dentro da periodicidade que determina a lei, ou seja, de seis em seis meses. Isso porque nos exames de rotina que faz em todo o Rio costuma ter sempre dois resultados. A água da tubulação de rua está dentro das especificações de pureza e qualidade, mas a coletada nos apartamentos é diferente. "A Cedae faz mais de mil amostras por dia controlando a qualidade da água em todo o Rio e com freqüência cada vez maior detecta contaminação na água dos prédios. Encontramos desde infiltração do esgoto até tudo o que se pode imaginar dentro das cisternas dos condomínios", alerta.

Alberto Gomes chama a atenção para os problemas mais comuns: reservatórios mal cuidados, sem uma perfeita vedação, e com infiltrações, especialmente nas instalações de esgoto. "As infiltrações de esgoto são perigosas porque podem atingir o abastecimento de água potável do condomínio". Ele alerta que as tubulações de água e esgoto num banheiro são muito próximas e quando há uma infiltração do esgoto é preciso correr, porque mais que uma questão estética, é uma questão de saúde pública.
O cheiro de cloro, a que erroneamente as pessoas reclamam, é importante, segundo o engenheiro, porque significa que a água está livre de contaminação.

Alberto Gomes orienta ainda para que se troque os canos de ferro por PVC e construam um ressalto acima do piso para as cisternas que ficam no subsolo. A medida garante que nada que corra pelo chão escorrá para dentro dos reservatórios. As tampas devem ser trancadas com cadeado para evitar a violação das caixas. Para a lavagem das caixas, diz que é possível contratar uma empresa especializada, mas que se quiserem fazer por conta própria devem seguir alguns cuidados: primeiro fechar o registro e esvaziar o reservatório, deixando apenas água suficiente para a lavagem. Depois escovar piso e paredes com escova de náilon para não danificar a impermeabilização. Nessa etapa pode-se fazer uma vistoria para ver se não há vazamentos. Depois, retirar a sujeira e encher a caixa colocando para cada mil litros de água, um de água sanitária. Deixar por duas horas e depois abrir todas as torneiras, esvaziando-o por completo. "Esse procedimento, garante a limpeza dos reservatórios e também das tubulações", ensina. Durante a higienização da caixa deve-se aproveitar para desinfetar também a tampa.

Em caso de dúvida sobre a qualidade da água ou caso observem algum cheiro ou cor diferente na água do prédio, pode-se procurar pela Cedae. Um plantão 24 horas, de domingo a domingo, atende as solicitações dos consumidores através do número 5570-8998 ou 572-7673 ou diretamente na rua Otavio Kelly, 110, na Tijuca.

Muitas queixas, mas nem sempre justificadas
A Cedae está em sexto lugar em número de reclamações junto ao Procon. Só de janeiro a maio desse ano foram 508 queixas, que incluem cobrança abusiva, medição errada e falta d'água. Segundo Carmem Lúcia Pinto de Oliveira, do departamento de contar a pagar e receber da Lowndes, no verão a média de reclamação dos condomínio da administradora chega a superar os 50%. Índice que cai bastante com a chegada do inverno. O pior, segundo ela, é que para cada 50 delas só três, em média, são acatadas como corretas pela Cedae. "Na grande maioria a conta está certa. O que percebo é que os consumidores não sabem como funciona o hidrômetro e também não atentam para as mensagens que vem nas contas. Elas alertam para qualquer alteração no consumo e servem para saber se há algo errado", orienta. Para o caso de contas em atraso, Carmem informa que os pagamentos podem ser parcelados. "Se a Cedae diz que a conta é devida e o condomínio não tem caixa para bancar o valor, por vezes alto, pode-se receber nas contas subsequentes pequenas parcelas até que o pagamento seja quitado", esclarece.

agua.jpg (11911 bytes)Os hidrômetros são os grandes vilões, responsáveis pela maioria das reclamações e depois de sete anos de uso, estão sendo trocados, o que pode levar a alguns sustos. "O aparelho novo, geralmente, onera as contas porque os antigos já não funcionavam bem e registravam uma consumo menor". Segundo informação da Cedae, por experiência a conta só dispara por causa da elevação anormal do consumo, provocada por algum tipo de desperdício, que pode ser ocasionado por vazamentos nas instalações internas do condomínio. Para detectar se há vazamento, orienta:
. No ramal direto da rede - Feche o registro e abra uma torneira alimentada diretamente pela rede. Espere até a água parar de correr e coloque um copo cheio de água na boca da torneira. Se houver sucção da água do copo é porque há vazamento no cano alimentado pela rede.
. No reservatório - Feche todas as torneiras de saída e de entrada de água. Marque no reservatório o nível de água. Depois de uma hora, no mínimo, verifique se há alteração no nível de água.
. No ramal interno - Feche a bóia do reservatório e verifique se o hidrômetro continua a marcar. Caso positivo, há vazamento na canalização.

Existem no mercado aparelhos que podem ajudar o síndico no controle do consumo, evitando enganos com as contas. O Hidronível, por exemplo, possui um detector de defeitos para as instalações hidráulicas, que permite seja possível buscar solução antes que causem maiores estragos. O mesmo equipamento possui um dispositivo acessório que substitui com vantagens a bóia. Funcionando através de um sistema eletrônico, determina quando a bomba deve ser acionada e desligada, economizando energia. Um outro equipamento interessante é o Hidrofluxo. Ele possui um dispositivo que permite acionar a bomba em intervalos de tempo, até que perceba a presença de água. A bomba auto aspirante suga ar quando não há água, o que também faz girar o hidrômetro. Com o Hidrofluxo, a bomba não trabalha sem água na tubulação.


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