Deu Certo

EDUCAÇÃO PARA TODOS


deucerto21.jpg (17834 bytes)Esse é o sonho do síndico Flávio Pilz, do condomínio Porto das Acácias, na Lagoa. Um sonho que vem sendo realizado ao alfabetizar os empregados do prédio.

Flávio considera-se um síndico de sorte. É bem verdade que ele não enfrenta problemas com inadimplência e a convivência entre os condôminos é boa. Mas sorte mesmo tem os empregados do condomínio que ele administra: o porteiro-chefe, o substituto, o folguista, os dois faxineiros e os dois vigias, todos oriundos do Ceará, estão tendo a oportunidade de voltar aos livros, numa iniciativa do patrão. As aulas são ministradas no próprio prédio onde trabalham, por uma professora qualificada, que preparou um curso exclusivo com material didático da região natal dos empregados.

A paixão do síndico pela educação começou na época em que cursava Engenharia e ao lado de colegas de faculdade, preparou um curso de alfabetização, comprou material e ensinou a empregados domésticos e seus filhos da região de Pacaembu, em São Paulo. "Acredito que nosso país é o melhor de todos, mas falta educação", diz Flávio, que antes mesmo de ser síndico já pensava em alfabetizar o pessoal do Porto das Acácias: "Eles têm boa índole, só não tiveram oportunidade. Alguns aprenderam quando crianças, mas como não praticaram, acabaram esquecendo", justifica.

Depois que assumiu a sindicância, há um ano e meio, e passados os primeiros meses de contato com a administração de um condomínio, conversou com os empregados para saber se eles se comprometeriam a assistir as aulas. Comprou quadro-negro, cadernos, contratou a professora e fez cópias do livro didático adotado. Para o síndico, vale a pena investir: "É um prazer saber que estamos alfabetizando sete pessoas", diz. E esse número pode crescer. O paisagista do condomínio já procurou saber se um de seus jardineiros pode fazer o curso. A síndica do prédio vizinho também quer seus empregados assistindo as aulas.

deucerto.jpg (11918 bytes)O síndico do Porto das Acácias tem habilidade com as pessoas, é simpático e muito humano. E essas são características que fazem com que se preocupe com o bem-estar de sua equipe. Já contratou um alpinista para cuidar da fachada do edifício só para não pôr seus empregados em risco. No momento, está planejando a ampliação da área em que eles dormem para que tenham mais conforto.

Mas não são apenas os trabalhadores do condomínio que contam com sua atenção. Os condôminos adolescentes, provocados por animosidades com antigos empregados, pichavam o prédio. Com um novo porteiro, um bom bate-papo e mais espaço e oportunidade de lazer, eles mudaram: "Conversei com a garotada, dizendo que queria fazer alguma coisa por eles. Pedi que dessem sugestões, que eu faria o que fosse possível". Com isso, o síndico conquistou a turma. Eles ganharam uma mesa de ping-pong e a possibilidade de usar o salão de festas para jogos e brincadeiras. E o condomínio ganhou defensores. Se antes pichavam, agora evitam que outros façam o mesmo: "Um visitante foi pego pichando. Foi recriminado por eles, que depois tomaram a iniciativa de limpar as paredes", conta orgulhoso.

Os problemas que mais têm requisitado sua atenção são os vazamentos. "As pessoas não sabem o que um prédio tem de tubulação. Já trocamos colunas inteiras", conta. Mas o síndico é engenheiro nato e diante de um problema procura saber a sua origem e a melhor maneira de solucioná-lo. "Com o apoio da administradora, posso gerenciar o prédio. No mais, são as coisas que acontecem todos os dias. E sinto prazer em acompanhar e resolver questões", garante. Os cuidados com o condomínio são constantes, o que provoca queixas na família. Flávio já ouviu muitas reclamações da filha, que diz que ele agora só pensa no prédio que lhe "roubou" o pai.

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